sábado, 26 de julho de 2014

A solidão é o melhor dos mundos (?) - 1



Nos meados dos anos 90 (do século passado, por suposto) um amigo, professor em uma universidade do Nordeste, voltou a São Paulo para fazer o seu doutorado na Universidade de Campinas (Unicamp).

Optou por morar no Embu (na Grande São Paulo, onde nasceu, hoje Embu das Artes...arghhhh!!!!!!!!!!) na casa de um casal amigo.

Era, e acho que é ainda, uma espécie de chácara ou quinta (embora não tenha outra destinação que não seja a moradia), perto da rodovia Regis Bittencourt (a BR 116, conhecida também como Estrada da Morte), do lado oposto ao centro da cidade.

Ocupou um apartamento numa das laterais do terreno. Um duplex. Usava apenas a parte superior. Embaixo “o dono da casa” usava para suas tralhas. Lhe cabia perfeitamente, pois por lá tinha seus livros, seus discos, seu PC e outras bugigangas das quais necessitava.

Semanalmente eu o visitava. Trocávamos ideias gerais (chegamos, anos antes, no mesmo Embu, a ter um jornal “de arte” que faliu rapidamente) a respeito de suas pesquisas, sobre suas buscas, seus escritos, e, por que não?, sobre mulheres, amores e solidão.

Coincidente, óbvio, estava eu em São Paulo, depois de peripécias Brasil a dentro, apenas que morando na minha terra, Cotia (do ladinho).

Não me custava nada ir visitá-lo semanalmente e aplacar um pouco a sua solidão. Amigo é amigo.

Casamentos

Meu amigo, que arribou-se para o Nordeste brasileiro, casou-se duas vezes. A primeira com uma amiga comum, artista plástica, e, posteriormente, com uma aluna da universidade.

Foram dois grandes naufrágios, que o afetaram profundamente.

Minha tese, inarredável, é que em matéria de amor e de paixão o homem é mais vulnerável e mais sensível que a mulher.

Que a conteste as mulheres!

É provável que ele seja (psicologicamente) mais frágil que eu. Por isso o mantenho, até hoje, sob espreita, embora não nos vejamos há anos (creio que desde aquela época) e não nos falemos há um bocado de tempo.

Na verdade me preocupo.

Tenho um outro amigos (os amigos são raros) – cujo nome não declinarei igualmente – que diz que o meu problema é sempre estar preocupado com os outros (ou com a outra), quando deveria estar cuidando de mim, especialmente agora que começo a esbarrar nos 70 anos.
(continua)

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