quarta-feira, 23 de julho de 2014

A Erundina o que é de Erundina, a Haddad o que é de Haddad



O prefeito paulistano Fernando Haddad registra o mais baixo índice de popularidade da história da cidade, ou se quiserem, o mais alto índice de rejeição.

Os petistas, especialmente o haddadistas, estão reclamando e fulos da vida com o que chamam de campanha contra o charmoso prefeito petista.

Acham que o desgaste de Haddad terá impacto direto na eleição ao governo do Estado de São Paulo e pode afundar as pretensões de Alexandre Padilha, tido como mais um poste de Lula da Silva.

Lula da Silva está preocupado com a performance de Haddad e quer que ele faça mais quéquéqué político e menos ações sociais para salvar a pele do médico Padilha e, consequentemente, do PT.

Os defensores de Fernando Haddad dizem que ele é o melhor prefeito que a city São Paulo já teve.

Isso parece aquela história de quem foi o melhor jogador de futebol de todos os tempos.

Quem não viu Pelé jogar pode achar que foi Maradona ou Zico; quem não viu nenhum dos três, pode achar que é Messi ou Neymar.

É uma questão de time.

Eu nunca morei em São Paulo, apenas estudei em algumas escolas de lá, e trabalhei em algumas empresas, em vários bairros da cidade.

E de qualquer forma Cotia, onde nasci, é uma espécie de cidade dormitório (hoje mais do que nunca) de São Paulo, ou uma cidade satélite (para usar uma imagem tipicamente brasiliense) da capital paulista.

Mas pra mim a/o melhor prefeita/o de São Paulo foi a paraibana Luiza Erundina, na época no PT, atualmente no PSB.

Depois de milênios, finalmente alguém tirou o foco da administração do centro da cidade e dos jardins (um conjunto de bairros supostamente de classe alta) e a levou para a periferia da cidade, onde moram os pretos, os pobres e as putas.

Muita gente não entendeu essa guinada erundiniana (como não está entendendo o que Haddad está fazendo), e especialmente as camadas mais pobres da cidade, que são as principais beneficiárias dos programas sociais petistas.

São Paulo é um hiato no Brasil.

As camadas mais vulneráveis, paulistas e paulistanas, são mais permeáveis ao discurso das elites e das subelites.

Obviamente que gente rica e remediada está se lixando para os pobres e os muito pobres, e são justamente esses pobres e muito pobres que replicam o discurso das elites e subelites, transformando-o em votos.

Realmente não dá para entender os meus conterrâneos.

Macunaíma é quem tinha razão: “o paulista é um povo muito esquisito”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário