sexta-feira, 6 de junho de 2014

PESSIMISMO E DESESPERO: Porra! Estamos cada vez mais perdidos e confusos (?)


Crédito da foto: www.enirvana.com.br

Ontem à noite, Mariana e eu fomos a uma palestra de um guru sul-coreano, criador (sic) da Meditação Maum.

A palestra foi no auditório da LBV, na Asa Sul de Brasília. Quem vier a BSB deve agendar o templo da LBV como um lugar de visitação. Uma suntuosidade espetacular.

Era uma palestra (grátis?) caça-níquel, a módicos R$ 250,00 (que poderiam ser parcelados).

O guru não tinha carisma, a tradução simultânea não era lá essas coisas e as metáforas usadas por ele eram sofríveis.

Tudo o que disse da mente individual e da mente universal já aparece com mais sabedoria e finura no budismo, no zen-budismo, no bramanismo, no hinduísmo e até na extraordinária obra do psicanalista suíço Carl Gustav Jung, o poderoso desafeto de Sigmund Freud.

O que chamou atenção foi o brutal assédio pelo dinheiro. Uma sul-coreana, com a metade do meu tamanho e provavelmente um terço do meu peso, chegou a me arrastar por vários metros, usando, inclusive, os seus seios como arma.

Mariana disse que já tinha presenciado esse tipo de assédio em outra palestra de um outro guru de outra seita.

O Brasil e Brasília são os melhores lugares para se fazer esse tipo de approach?

NÃO!

Estamos num país naturalmente místico e hiper-religioso, e numa região (DF e Entorno) onde pululam seitas e grupos religiosos de todas as culturas e origens.

Num levantamento preliminar que fiz do final do ano passado para o início deste já deu para identificar perto de 500 “grupos religiosos” por aqui.

Por este País a coisa “rola” na espontaneidade, na troca de experiências e nas fusões de culturas, de crenças e de fé.

Perdidos

Crédito da foto: www.vortexcultural.com.br
Este e outros “gurus da Nova Era” jogam na suposta perplexidade das pessoas frente à existência para descolar os seus trocos e enriquecer.

Estaríamos todos perdidos frente às incógnitas da vida para nos submeter a esse tipo de pressão e chantagem emocional?

Diria: mais ou menos! Alguns estão mais, ou momentaneamente mais que os outros, mas não me parece que todos estejam perdidos e desesperados assim.

Insatisfeitos, talvez.

Acabei de passar por uma ruptura (que considero grave). Era uma amizade meramente virtual, mas, diria, um pouco mais profunda e complexa.

Rusgas, radicalizações e incompreensões de ambas às partes levaram a um rompimento abrupto e irreversível.

Essas coisas não são exatamente desejáveis, mas (fatalismo?) acontecem.

O grave da história (o mais grave da história) é que a ex-amiga acabou por deletar o seu perfil no Facebook.

Isso também, a princípio, não seria nada demais, pois muita gente faz isso (por razões diversas) e eu mesmo já fiz uma vez e sempre ameaço fazer uma segunda.

A questão é que no perfil da ex-amiga estava um extraordinário registro fotográfico de festas e festejos religiosos brasileiros.

Sempre há a possibilidade de que o perfil esteja escondido por algum tempo, e, seguramente, que o acervo extraordinário esteja em backup em algum canto.

Mas era uma referência pública importante, e uma reação intempestiva não pode privar as pessoas em geral de conhecê-la e dela usufruir.

Esse é um dos casos em que a meditação (seja a Maum ou qualquer outra) poderia ter evitado.

Perdidos e mal-humorados

Crédito da foto: www.ayg-yoga.com
Em seu artigo de ontem em O Globo, o jornalista e escritor Zuenir Ventura disse que o brasileiro está mal-humorado.

Que brasileiro, cara pálida?

Ventura caiu na velha armadilha na qual caem sempre os jornalistas e os intelectuais em geral: a de ver o todo pela parte.

Todos os brasileiros não estão mal-humorados coisa alguma. O grupo ao qual ele pertence talvez esteja insatisfeito com o “andamento das coisas” neste Brasil varonil, insuflado pelo pessimismo reinante nos meios de comunicação; pessimismo que tem tudo com a ferrenha oposição que se faz, já há alguns anos, ao governo petista, mas quase nada com o pessimismo geral da população brasileira.

Vamos andar pelas ruas e vielas, pelas cidades, campos e estradas, por praias e bordéis que não veremos tanto assim os resmungos e suspiros, pessimismos e desesperanças tão comuns nos meios de comunicação e em conversas ao pé de ouvido em almoços familiares e festinhas de confraternização de empresas.

O Brasil vai bem, apesar da brutal herança de desigualdade, desigualdade que não será sanada apenas em poucos anos por políticas públicas que priorizem os mais pobres e marginalizados de nossa história.

Talvez devamos todos começar a praticar meditação para sermos capazes de destruir a “realidade” que construímos em nossa mente, e que pouco tem a ver com o que acontece no mundo não-virtual.

Nenhum comentário:

Postar um comentário