quinta-feira, 5 de junho de 2014

A USP abre o bico nas bicadas dos tucanos




Crédito da foto: nobalacobaco.blogspot.com

É grave a crise na “maior universidade” (sic) brasileira e na ex-“maior universidade” (sic) latino-americana.

A ponta do iceberg é a folha de pagamento: 105% do orçamento uspiniano.

Como assim? A universidade gasta só com pessoal mais do que arrecada?

Pois é exatamente isso que acontece, como, aliás, acontece com a maioria dos brasileiros, especialmente os de classe média, que gasta o que não tem.

Bem, como uma universidade não têm apenas custo com pessoal dá pra imaginar o caos que se instalou por lá, e não foi de hoje, mas tem como linha divisória as interferências do irrefreável José Serra na escola.

A USP nasce de um sonho – do baronato do café paulista que não queria seguir os sonhos dos barões anteriores – cana-de-açúcar, ouro, algodão – que mandavam seus filhotes estudar em Coimbra ou em qualquer outro canto.

Nada disso! A paulistada queria criar uma casta de brasileiros, provocar uma explosão de brasilidades em território de Pindorama.

Conseguiu, juntamente com a criação, poucos anos mais tarde, da Fapesp, e, mais posteriormente, da Unicamp.

Da paupérrima Capitania de São Vicente (que incluía a hoje Minas, o hoje Goiás e boa parte dos matogrossos) à “Locomotiva que move o Brasil” foi um pulo razoavelmente rápido.

Aquela indiarada “falando tupi-guarani” ainda no início do século 20 (de que lembra Darcy Ribeiro) morando nas sertãs e se refestelando nos finais-de-semana numa província pré-desvairada passou a importar putas do Leste Europeu e de França, a fabricar macarrão, rocas e parafusos e a andar de anel de doutor no dedo.

Pronto: iniciava-se a segunda fase das Bandeiras.

O paulista não precisava mais atravessar o rio Paranaíba, foder uma índia e fincar uma cruz.

Levava agora mineiros e baianos para as suas fábricas, seus sobrados e mocambos, suas padarias, seus restaurantes, suas ruas e favelas.

No rastro deixado pela “grana que ergue e destrói coisas belas” (CV) a Semana de Arte Moderna, o renascido movimento sindicalista do ABCD (de claras tinturas anarcosindicalistas e igrejeiras), o Partido dos Trabalhadores e o PSDB.

Quem não era paulista ficou paulista, como os ocupantes do Palácio do Planalto, Jânio Quadros (MT/MS), Fernando Henrique (RJ) e Lula da Silva (PE).

”Passou de São Paulo é tudo Bahia”, já dizia minha mãe.

Quem paga a conta?

Há quem defenda que, até por terem condição, 60% dos alunos da USP deveriam pagar para estudar por lá.

Adiantaria? Resolveria o problema?

NÃO!

E nem justo é que parcela dos “educandos” pague enquanto outros 40% estudam de graça.

E nem legal é, pois a lei brasileira não permite.

A saída seria então privatizar aquela suntuosidade?

NEM PENSAR!

Não se joga uma história de luta e de mudanças fundamentais para o País na lata do lixo do capitalismo.

É preciso repensar a administração da USP.

Os tucanos não são exatamente os melhores caras para fazer isso. Eles não só detonaram com a USP como detonaram a TV Cultura (Fundação Padre Anchieta), que passou mais ou menos incólume pela ditadura militar e até por uma administração de Paulo Maluf.

Passou por eles, mas não passa pelas bicadas tucanas,

A TV hoje é um vergonhoso apêndice propagandístico do jeito tucano de ser.

Paulistas, uni-vos! Ou o Estado volta rapidinho aos áureos tempos da Capitania de São Vicente, agora sem Minas, sem Goiás, sem o Mato Grosso, sem índias pra foder e sem cruzes para fincar.

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