sexta-feira, 30 de maio de 2014

O ministro Joaquim Barbosa capitulou (?)


Crédito da foto: www.folhavitoria.com.br

O ministro Joaquim Barbosa anunciou a sua aposentadoria do STF 11 anos antes do previsto. O anúncio é e não é uma surpresa.

Surpreende porque ele tinha mais 11 anos no Tribunal; não é porque ele já havia anunciado a decisão há alguns meses.

O que ele vai fazer depois é uma incógnita, mas ele já disse que criará uma Fundação para combater o racismo.

Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) já correram para escancarar as portas de seus respectivos partidos para o presidente do STF.

Barbosa meio que subverte à célebre frase de Getúlio Vargas: “saio de vida para entrar para a história”. O menino pobre de Paracatu sai da história para entrar na vida, mas para, quem sabe, fazer novas histórias, seja combatendo o racismo, seja como político ligado a algum partido.

Gente próxima a Barbosa, e gente nem tão próxima assim, mas ávida por um holofote, diz que Barbosa não aguentou as pressões, ameaças e xingamentos por conta da sua relatoria no caso da AP 470, leia-se Mensalão do PT.

Hum... conversinha mal contata.

Muito mais que Barbosa, Ricardo Lewandowski foi execrado, xingado, ameaçado por todos os lugares por onde passou e nem por isso teve os chiliques barbosianos, e agora vai assumir a presidência do Supremo exatamente no lugar do menino pobre de Paracatu.

Onde a corda aperta

Incensado pelo PIG, pelos reaças e pelos coxinhas desinformados (atenção! isso é uma redundância) Barbosa teve até mesmo o seu nome lançado (à revelia) à Presidência da República.

Era o nosso caçador de marajás versão século 21.

Seu nome não emplacou nas massas que leva porrada da polícia nas ruas, luta por pelo menos um prato de comida por dia e anda de busão lotado.

Os coxinhas e a direita perderam mais uma.

Aliás, eles perdem todas e não aprendem.

Acham que o mundo gira em torno de uma praça de alimentação de shopping center.

Queda da Bastilha

Crédito da ilustração: www.saladacorporativa.com.br
Não foram as ameaças, os xingamentos na rua (meia dúzia, se tanto) e os telefonemas malcriados que derrubaram Joaquim Barbosa.

Foi o desgaste que sofreu junto aos seus pares pelas estripulias que fez durante o julgamento do Mensalão do PT.

Foi a execração pública que sofreu do mundo jurídico, inclusive de gente mais conservadora e reacionária que ele, como o jurista paulista Ives Gandra Martins.

E vá lá que a pressãozinha do PT ajudou um pouco na defenestração de Barbosa.

O mundo jurídico estará melhor sem Barbosa no Supremo?

É provável que sim.

Resta saber agora como isso tudo terá impacto na vida e na obra do menino pobre de Paracatu, tome ele que rumo tomar.

Você tem esperança de que para melhor?

Eu não!

Gente intempestiva como Joaquim Barbosa não costuma se emendar assim tão facilmente.

Muito pelo contrário: é bem capaz que o seu desapreço pela lei e a sua ira (nada santa) cresçam mais ainda.

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