sábado, 31 de maio de 2014

Alguém liga se você fumar maconha?




Crédito da foto: super.abril.com.br

Aparentemente não. A não ser a velhinha da sua mãe ou algum moralista de plantão. Dia desses um amigo observou que a maconha virou uma droga social, assim como era, por exemplo, até o final do século 19, nos EUA.

Há vários estudos mostrando que a criminalização do uso e tráfico de drogas está ligada a questões ideológicas, e não às de saúde.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) 0,6% da população mundial usa maconha pelo menos uma vez ao ano. Melhor seria deixar essa conta para a OMC (Organização Mundial do Comércio), pois por esse ralo rola muita grana.

A estatística da OMS é ruim, é falha. Olhe à sua volta e veja quantas pessoas usam a cannabis.

Aí você terá uma visão mais precisa da quantidade de usuários da droga.

A polícia nem está mais aí para os maconheiros. Até “leva um lero” para uma troca de informação, enquanto procura por usuários de cocaína e de crack.

O maconheiro pode falar numa boa com o polícia enquanto dá um tapa no baseado que não vai lhe acontecer nada.

Os atuais registros científicos indicam que já se consumia maconha 3 milênios antes de Cristo, na China.

O corpo de um xamã chinês sepultado há cerca de 2.800 aC foi encontrado ao lado de um pacotaço da cannabis.

Os hindus da Índia e do Nepal, no entanto, acham que o uso da maconha é mais antigo ainda.

Ou seja, parece que nascemos queimando a erva.

Uma vez presenciei a queima de toneladas da erva, no interior do Mato Grosso do Sul. E é lógico que ficamos todos devidamente postados do lado em que o vento tocava o fumacê.

Na arquibancada do Morumbi um sujeito sentou um lance abaixo de mim com uma tora maior que aqueles charutos cubanos dos quais tanto gostavam Fidel e Lula.

Enquanto fumava aquele monumento, o sujeito se fixava no que rolava em campo sem dar um pio. Muita gente se mexeu ao lado e atrás dele, não para fugir, mas para poder aspirar melhor a fumaça.

Assim que terminou o primeiro tempo também terminou o colosso. O cara levantou e começou a gritar e a pular como se o jogo estivesse em andamento. Tenho pra mim que ele fixou tudo o que ocorreu no primeiro tempo e o reassistiu no intervalo.

Bucolices

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou, esta semana que acaba, decisão sobre o processo de importação de medicamentos à base de canabidiol, substância encontrada na maconha (G1).

“Atualmente, remédios com a substância estão em uma lista do órgão de Vigilância Sanitária que proíbe o uso para fins terapêuticos, exceto quando há alguma autorização especial para importação, concedida pelo próprio diretor da agência ou ainda sentença jurídica com a mesma finalidade” (idem).

“(O canabidiol) tem sido usado no Brasil em crianças e nós não detemos informações na literatura de qual é a consequência orgânica de médio e longo prazo por crianças de diferentes idades. É dever da Anvisa evitar os efeitos colaterais e alertar sobre os riscos.” (idem)

Uma “doença genética, que provoca deficiência neurológica grave e convulsões, tem como alternativa de tratamento um remédio à base do canabidiol.” (idem)

Isso é uma tontice sem tamanho.

Dependência e violência

“Estudos mostram que alguns usuários que fazem uso da maconha diariamente não desenvolvem o vício, enquanto outros podem desenvolver uma síndrome de uso compulsivo semelhante à dependência de outras drogas.” (Brasil Escola)

Moralistas em geral associam o uso da cannabis à violência e à promiscuidade sexual.

Bobagens totais, até porque boa parte da violência é provocada por homens bêbados, tendo como vítimas preferenciais as mulheres, e boa parte dos usuários da drogas (homens e mulheres) fica em tal estado de euforia que quer mais é gritar, cantar e dançar, ao invés de dar uma boa trepada.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O ministro Joaquim Barbosa capitulou (?)


Crédito da foto: www.folhavitoria.com.br

O ministro Joaquim Barbosa anunciou a sua aposentadoria do STF 11 anos antes do previsto. O anúncio é e não é uma surpresa.

Surpreende porque ele tinha mais 11 anos no Tribunal; não é porque ele já havia anunciado a decisão há alguns meses.

O que ele vai fazer depois é uma incógnita, mas ele já disse que criará uma Fundação para combater o racismo.

Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) já correram para escancarar as portas de seus respectivos partidos para o presidente do STF.

Barbosa meio que subverte à célebre frase de Getúlio Vargas: “saio de vida para entrar para a história”. O menino pobre de Paracatu sai da história para entrar na vida, mas para, quem sabe, fazer novas histórias, seja combatendo o racismo, seja como político ligado a algum partido.

Gente próxima a Barbosa, e gente nem tão próxima assim, mas ávida por um holofote, diz que Barbosa não aguentou as pressões, ameaças e xingamentos por conta da sua relatoria no caso da AP 470, leia-se Mensalão do PT.

Hum... conversinha mal contata.

Muito mais que Barbosa, Ricardo Lewandowski foi execrado, xingado, ameaçado por todos os lugares por onde passou e nem por isso teve os chiliques barbosianos, e agora vai assumir a presidência do Supremo exatamente no lugar do menino pobre de Paracatu.

Onde a corda aperta

Incensado pelo PIG, pelos reaças e pelos coxinhas desinformados (atenção! isso é uma redundância) Barbosa teve até mesmo o seu nome lançado (à revelia) à Presidência da República.

Era o nosso caçador de marajás versão século 21.

Seu nome não emplacou nas massas que leva porrada da polícia nas ruas, luta por pelo menos um prato de comida por dia e anda de busão lotado.

Os coxinhas e a direita perderam mais uma.

Aliás, eles perdem todas e não aprendem.

Acham que o mundo gira em torno de uma praça de alimentação de shopping center.

Queda da Bastilha

Crédito da ilustração: www.saladacorporativa.com.br
Não foram as ameaças, os xingamentos na rua (meia dúzia, se tanto) e os telefonemas malcriados que derrubaram Joaquim Barbosa.

Foi o desgaste que sofreu junto aos seus pares pelas estripulias que fez durante o julgamento do Mensalão do PT.

Foi a execração pública que sofreu do mundo jurídico, inclusive de gente mais conservadora e reacionária que ele, como o jurista paulista Ives Gandra Martins.

E vá lá que a pressãozinha do PT ajudou um pouco na defenestração de Barbosa.

O mundo jurídico estará melhor sem Barbosa no Supremo?

É provável que sim.

Resta saber agora como isso tudo terá impacto na vida e na obra do menino pobre de Paracatu, tome ele que rumo tomar.

Você tem esperança de que para melhor?

Eu não!

Gente intempestiva como Joaquim Barbosa não costuma se emendar assim tão facilmente.

Muito pelo contrário: é bem capaz que o seu desapreço pela lei e a sua ira (nada santa) cresçam mais ainda.