quarta-feira, 16 de abril de 2014

Duas chapas puro-sangue contra Dilma (?)


Crédito da fotomontagem: oglobo.globo.com

PSDB e PSB tentam uma medida temerária: lançar chapas puro-sangue: Aécio Neves (MG) + Mara Gabrilli (SP), Eduardo Campos (PE) + Marina Silva (AC).

Num país acostumado às costuras políticas, aos conchavos, aos acordos subterrâneos e às coligações oportunistas isso funciona?

A ideia, a rigor, não é vencer a eleição em primeiro turno, mas rachar o eleitorado, levando o pleito para o segundo turno, re-aglutinar as forças de oposição e vencer a “búlgara” em novembro.

É até possível re-arrumar a chapa oposicionista para o segundo turno, aglutinando as forças, por exemplo, Aécio + Campos ou Campos + Aécio.

Há jurisprudências e pareceres do TSE nesse sentido.

O problema é que vai virar uma luta judicial encarniçada – se isso acontecer – que o intervalo entre o primeiro e segundo turnos não deve ser suficiente para resolver.

E quando chegar 1º de janeiro de 2015? Assume o presidente do Congresso no lugar de Dilma?

Ui!

Tacanada

Acostumados à velha parceria com os Democratas (DEM, para os íntimos, e DEMO, para os inimigos), os tucanos vão de órfãos para a eleição. A rigor, nada de mais, pois a sanha do DEM é “destruir essa gente” (o PT) de qualquer jeito.

Ocorre que o PT já correu Estados e firma apoio em seis deles justamente com a direita coronelista, que migrou, ideológica e geograficamente, dos sertões nordestinos para o Sul do País e para as camadas médias da população urbana.

Há outros problemas mais graves, porém: a própria marketagem de Aécio Neves já reconheceu que ele não é conhecido nos brasis.

Não ser reconhecido é um modo simpático de dizer que Aécio Neves não tem voto fora de Minas Gerais. Torná-lo palatável ao eleitorado em meio a pós, helicópteros, cambaleios e noitadas vai ser um negócio duro de ser realizado.

Conta ainda o nome de Mara Gabrilli para vice. Uma ilustre desconhecida. Gabrilli se encaixa perfeitamente naquela máxima eleitoral: vice não traz votos, tira.

Socializada

Os socialistas têm mais trunfos na manga do paletó, mas também problemas.

Eduardo Campos joga no desgaste do governo dilmista e em rachar os votos nordestinos.

Marina, ao contrário de Gabrilli, e contrariando a máxima, agrega votos, especialmente dos interiores brasileiros, ambientalistas, boa parte dos movimentos sociais e dos evangélicos.

O sonho separatista de Campos, no entanto, termina nos limites de Pernambuco. E pode nem terminar nos limites: basta Lula da Silva (tão pernambucano quanto ele) realizar um ou dois tours pelo Estado que seus votos vão pro beleléu.

Contra Marina pesa o fato de ter migrado do catolicismo para uma igreja evangélica, após passar anos – e ser cria das – nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). A política acreana também tem emitido sinais perturbadores de apoio à causa anti-aborto, o que pode abortar milhões de votos das classes média média e média alta.

Não bastasse tudo isso, como todo mundo sabe, até os bravos jornalistas que odeiam o PT, o PSB não tem programa de governo.

Imagina na Copa

O grande trunfo de tucanos e socialistas, porém, não está em programas de governo e em aliança e contra-alianças eleitorais, mas sim nas manifestações anti-Copa, durante a Copa.

Dependendo da magnitude dos protestos e da consequente repressão, ambas as chapas-puras podem navegar por águas mais tranquilas, especialmente se a seleção brasileira de futebol naufragar nesse mar de tranquilidade.

Mas como se disse acima, a estratégia mesmo é “dividir para reinar”, ou seja, levar a eleição para o segundo turno e, finalmente, derrotar o lulopetismo.

Pode ser que funcione (mas é bom não pagar para ver, por medida de segurança), porém a estratégia pode se transformar numa enorme catástrofe eleitoral, e dar a chance de, pela primeira vez na história, o PT vencer uma eleição presidencial em primeiro turno.

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