quarta-feira, 30 de abril de 2014

DIREITOS HUMANOS: Quem quer casar com uma menina de 9 anos?


Crédito da foto: www.alagoas24horas.com.br

Volto à minha velha tese de que a mulher é a principal vítima das atrocidades e da violência mundo a fora, e em praticamente todas as culturas.

Há quem veja nisso uma tentativa (minha) de “naturalização” da opressão à mulher. Já cansei de discutir esse assunto sob esse “ponto de vista”, portanto mantenho a minha posição inicial.

Alguns antropólogos (especialmente norte-americanos e britânicos) dizem que em algum momento da história da humanidade as sociedades foram igualitárias, não havia divisão de trabalho entre-gêneros, e, portanto, a mulher gozava das mesmas prerrogativas da macharada.

Não tenho esse instrumental todo para aceitar pacificamente a tese, e nem ela me parece consistente. Seria coisa de há 80 mil anos, e minha parca erudição não chega nem perto disso.

Me apego, e acho que vou continuar me apegando para sempre, no conhecimento da história da humanidade (a fartamente documentada) e na realidade contemporânea.

Em qualquer recorte que se faça da violência, a mulher está sempre presente como vítima, e em muitos dos casos como vítima majoritária.

Além da banana

Para além da banana do Daniel Alves (que, aliás, um desses eruditos de esquerda definiu como ponta direita... afê... sabe tudo o garoto!!!!) o mais chocante da semana é a história da autorização para que meninas de 9 anos possam ser desposadas por algum marmanjo babão.

Sigamos o que diz o jornal O Globo:

Está em discussão no Iraque uma lei que pode tornar legal o casamento de meninas com 9 anos de idade. A proposta se destina exclusivamente aos xiitas, que representam aproximadamente 60% da população e passariam a ter o direito de recorrer a tribunais religiosos em vez dos civis. O texto faz parte de uma reforma denominada Lei Jaffari, em homenagem a um dos grandes nomes do islã xiita, Jaffar Al Sadiq.

A Lei Jaffari, se aprovada, vai diminuir a idade mínima de casamento às mulheres de 18 para 9 anos. O texto também estabelece que as mulheres casadas só poderão sair de casa com autorização do marido, sendo permitido a elas pedir o divórcio somente se provarem que o marido é impotente ou que seu pênis foi amputado. Outro artigo polêmico da lei estabelece que elas deverão sempre estar disponíveis para relações sexuais.

A Lei Jaffari – se posta em prática – é espetacularmente espetacular:

- Pode-se casar com meninas de (até) 9 anos;
- As mulheres casadas só poderão sair de casa com autorização do marido;
- As mulheres devem estar sempre “disponíveis” (Jesus, Maria, José!!!) para o sexo.

E os direitos humanos?

Aí volto à outra velha tese, aliás, objeto de uma postagem recente neste afalaire:

São não. São bens relativos, e devem se submeter às idiossincrasias e às nuanças de cada cultura, tempo e lugar.

Mas peralá. Há questões maiores e inquestionáveis relativas aos direitos específicos do ser humano, neste caso, da mulher, seja ela quem for, esteja ela onde estiver.

A obrigatoriedade (e é obrigatoriedade mesmo) de uma menina aceitar desposar um marmanjo babão tem pouco a ver com a cultura e a religião, e muito, e exclusivamente, com o direito da mulher.

Assim como são aberrações (universais) a mutilação do clitóris e a necessidade de que a mulher estuprada tenha de arrumar quatro testemunhas (homens) para provar frente ao tribunal que foi realmente a vítima de uma violência sexual.

Neste caso particular, creio que todos conheçamos ou pelo menos saibamos de casos de estupros.

E em quantos deles a mulher foi estuprada por apenas um machão idiota? 1%? 5%? 15% que seja?

Os estupros quase sempre são coletivos, quando não com a participação direta de todos os “homens em volta”, mas com as suas anuências e assistência criminosa.

Essa macharada vai testemunhar a favor de quem?

Será que não somos todos mesmo primatas?

terça-feira, 29 de abril de 2014

SOMOS TODOS MACACOS: Uma banana do Zanin para a intolerância e a ignorância



Enquanto gente mal-humorada, mal resolvida, mal amada e vá saber de que outros males esta gente sofre (há até o anúncio de uma campanha a começar amanhã contra o # somos todos macacos # - pois sim, # somos todos macacos mesmo#) o jornalista Luiz Zanin dá uma aula de civilidade em um saboroso texto no Estadão (É só uma banana? -  http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-so-uma-banana,1159873,0.htm) sobre o episódio envolvendo, no último domingo, o jogador Daniel Alves do Barcelona.

Zanin não se furta a lembrar de “o absurdo da agressão racista”, de que “a atitude de Dani Alves não resolve o assunto” e de que os comportamentos racistas devem ser mais do que alvo de campanhas beneméritas, mas também de ações consistentes da justiça.

No mesmo texto Zanin fala ainda da “despedida” corintiana do Pacaembu, e de como, com o tempo, a imprensa (isso mesmo: isso é coisa da imprensa) transformou o Paulo Machado de Carvalho em casa do Corinthians, coisa que nunca foi.

“...o Estádio Municipal, como diz o nome, pertence a todos os paulistanos. Os locutores antigos se referiam a ele como ‘o próprio da municipalidade’. E é isso mesmo. Não podemos perder certas coisas de vista. Bem público não se privatiza.”

Gente inteligente, civilizada e bem resolvida é outra coisa.

Dá-lhe Zanin!

Vamos ao texto

[Amigos, o velho Freud dizia que às vezes um charuto é apenas um charuto. Quer dizer, em certas ocasiões, aqueles aromáticos havanas que ele fumava não eram símbolos fálicos, mas apenas tabaco para seu uso e gosto. Processo mental semelhante fez o Daniel Alves ao comer a banana que fora atirada em sua direção no jogo contra o Villarreal.

A simbologia racista do gesto é evidente: associar negros a macacos, retirando-lhes a humanidade. Com tranquilidade, ao comê-la, Dani reduziu a banana àquilo que ela é: apenas uma fruta, rica em potássio e açúcares. Expropriou da fruta sua conotação pejorativa e expôs ao ridículo o seu agressor. Simbolicamente, ao comer a fruta, Dani "deu uma banana" ao palhaço que tentou diminuí-lo.

O gesto do brasileiro, sabemos, percorreu as redes sociais e recebeu apoios no mundo inteiro. Imagino que Daniel Alves não o tenha planejado. De modo genial, encontrou a solução de bate-pronto, como fazem os craques. Devolveu o insulto na forma da ironia, que é a melhor maneira de fazê-lo. Usou a sintaxe e a situação do jogo para defender-se e expor o absurdo da agressão racista. E ao usar a exposição mundial das partidas do Barcelona, universalizou seu gesto altivo.

Claro que a atitude de Dani Alves não resolve o assunto. Seria ilusório achar isso. O racismo, já dissemos isso por aqui, tem de ser combatido como crime que é. Parece que existe uma preocupação da Fifa e de todas as entidades a ela filiadas de que esses atos repugnantes deixam de existir. Falta só um pouco de ação.

Nesse sentido, vejo até um certo aspecto positivo no futebol globalizado. Eu, que sou um crítico da globalização do esporte, porque entendo que não passa de exercício do poder econômico dos grandes clubes contra os fracos, tenho de admitir outro lado. É apenas pela presença de jogadores de outros continentes que as equipes europeias começaram a se tornar multirraciais.

Essa convivência multiétnica há de ter, talvez a longo prazo, a virtude civilizatória de diminuir o racismo. Se o indivíduo racista tem em seu clube do coração um grande atleta negro, haverá de pensar duas vezes antes de considerá-lo um ser inferior.

A humanidade progride aos pouquinhos. E às vezes regride, mas não podemos perder a esperança.

Outro fato do fim de semana que me tocou: a "despedida" corintiana do Pacaembu. Foi bonita a festa, pá, mesmo se levarmos em conta que o adeus pode ser de curto prazo, pois se houver jogo de volta contra o Nacional (AM) pela Copa do Brasil o velho Estádio Paulo Machado de Carvalho terá de ser usado. De qualquer forma, fica o fato de que o Corinthians vai agora para sua casa mesmo, o Itaquerão, e retornará no futuro ao Pacaembu sem ser mandante. Foi uma bela história entre o time e o estádio, mas não se pode dizer que o Corinthians tenha se despedido da "sua casa", pois o Estádio Municipal, como diz o nome, pertence a todos os paulistanos. Os locutores antigos se referiam a ele como "o próprio da municipalidade". E é isso mesmo. Não podemos perder certas coisas de vista. Bem público não se privatiza.

Como todos os torcedores paulistanos, vi meu time jogar muitas vezes no Pacaembu. Menino da capital, foi lá que me encantei definitivamente pelo futebol ao vivo, levado por tios, amantes do jogo da bola. Minha mãe contava ter desfilado na inauguração do estádio, em 1940, quando era normalista.

Cresci ouvindo histórias e as vivendo nesse velho estádio. Os mais experientes lembrarão da Concha Acústica e da Estátua de Davi. A primeira foi demolida para dar lugar ao tobogã. A estátua parece que terminou no Tatuapé, após ser removida do campo. Ficaram na nossa memória, esse espaço virtual que sobrevive à depredação da metrópole.

Numa cidade que não prima pelo gosto estético, o velho Pacaembu ocupa posição privilegiada. Encravado naquele vale, num ponto central da cidade, é modelo raro de elegância arquitetônica.

Para mim vale muito mais que dez insípidas arenas "padrão Fifa". O Pacaembu é de todos nós. Nossa casa, independente de qual seja o nosso time.]

Lula X STF = pior para o PT


Crédito da foto: afinsophia.com

A queda de braços entre Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal é uma roubada para o Partido dos Trabalhadores, especialmente neste ano eleitoral, quando nem se sabe ao certo quem será o candidato do partido à Presidência da República e muito menos se ele venceria.

É uma estratégia equivocada, mais uma das muitas adotadas pelo PT, especialmente por Lula da Silva, nos últimos tempos.

O “sapo barbudo” viu por bem agora apenas falar com a imprensa internacional e com a blogosfera (in) dependente, onde solta as cachorras contra o julgamento do Mensalão e a imprensa brasileira.

Hum...

Somando todos os leitores, vedores, assistidores e curtidores dessa gente mal dá a tiragem da Gazeta de Itapecerica da Serra.

O PIG, como os esquerdistas gostam de dizer, nada de braçadas em milhões e milhões de cabeças brasileiras. Até podem ser cabecinhas ocas, mas não deixam de ser cabeças que votam e que induzem outros a votar.

OK, muita gente pode argumentar que a estratégia lulopetista é futurista, e que, portanto, no futuro, quando a web surfar tranquila, muita gente vai dizer: “não é que o Lula tinha razão?”.

Pode até ser, acho pouco provável, mas o real é o agora, e no mar do agora para o PT os peixes estão rareando.

Mudernidades

A visão futurística de Lula da Silva, egresso dos interiores de Garanhuns, antevia uma casinha, uma geladeirasinha, um tevesinha e um carrinho. Como todo ser darwinista Lula da Silva chegou à web, assim como chegaram Obama e a Piñera.

Conta uma neo-lenda urbana e pós-moderna que Obama chegou à presidêndia dos EUA e Sebastián Piñera à do Chile graças e obra à web, especialmente ao twitter.

Chegaram? Hummmm........

Passado o quéquéqué festeiro o que se viu nos números finais é que em ambos os casos o impacto do tour de force interneteiro mal chegou aos 2%.

Com esse índice não é possível nem eleger o gato mais feio da rua.

Talvez uma acachapante derrota do PT neste 2014 possa mostrar aos “estrategistas” petistas e ao seu guru-mór que tudo não passou de uma simples alucinação, de uma grande roubada, mas então, a essa altura, Inês estará morta, sem direito a ressuscitamento na UTI do Sírio Libanês.