terça-feira, 4 de março de 2014

Rússia é o único País que dobra os joelhos dos EUA (?)


Crédito da foto: noticias.uol.com.br

Caso olhemos para as invasões de países e regiões (e, por que não?, para as repressões a protestos) do ponto de vista humanitário (que é o que nos interessa, afinal de contas) o que faz a Rússia na Criméia, neste momento, é um desrespeito total, uma violência inqualificável.

Mas a ingenuidade (a nossa e a de todo mundo) não é uma opção.

É a geopolítica, idiota!

Li ontem um bom artigo, onde se argumenta que a Rússia é o único país que pode frear um pouco o descalabro belicista dos norte-americanos.

No mesmo artigo argumentava-se que apesar de ter uma economia mais forte e mais poderosa que a norte-americana, a China não tem armas e tropas suficientes para frear os EUA.

Mais ou menos: pode até não ter, mas os EUA não cantam de galo pra cima dos chineses, vide o caso o avião não tripulado que a China surrupiou dos norte-americanos no ar (há poucos anos), desmontou-o e só devolveu algumas peças encaixotadas seis meses depois.

O Incrível Exército de Brancaleone invadiu o território chinês por conta disso? Nem os EUA.

Não se briga com cachorro grande.

“Grande irmão”

Zbigniew Kazimierz Brzezinski, que foi Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos durante a presidência do democrata Jimmy Carter (de 1977 a 1981), defendeu, no seu livro The Grand Chessboard: American Primacy and it’s Geostrategic Imperatives / O Grande Tabuleiro de Xadrez: a Primazia Americana e seus Imperativos Geoestratégicos, as bases para “o estabelecimento da hegemonia militar, política e econômica dos EUA na região mais promissora e próspera do século, na Ásia”.

"Dado o tamanho (da Rússia) e sua diversidade, um sistema político descentralizado e uma economia de livre mercado seriam a mais provável via para desencadear o potencial criativo do povo russo e (explorar) os vastos recursos naturais da Rússia. Uma Rússia vagamente confederada - composta por uma Rússia europeia, uma república da Sibéria, e uma república do Extremo Oriente - também tornaria mais fácil cultivar relações econômicas mais estreitas com seus vizinhos.

Cada uma dessas regiões confederadas seria capaz de explorar o seu potencial criativo local, sufocado por séculos de controle da mão burocrática pesada de Moscou. Além disso, a Rússia descentralizada seria menos suscetível a uma mobilização de tipo imperial”. (Zbigniew Brzezinski” – veja mais em Ucrânia: o plano mais idiota de Obama - http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/34221/ucrania+o+plano+mais+idiota+de+obama.shtml.

Para entender o que diz Brzezinski é preciso atentar para palavras/expressões chaves de seu texto:

promissora, próspera, hegemonia, livre mercado, potencial criativo, relações econômicas, potencial.

A menos que o sujeito seja imensamente tosco para entender (o que, infelizmente, é o caso da maioria) a fala de Brzezinski nos leva à exploração capitalista nos recursos (naturais e humanos) da região mais promissora e próspera do século, na Ásia”, e que, portanto, urge neutralizar a Rússia e seus comunistas travestidos de liberais.

“A grama do vizinho é mais verde”

Posto por este prisma, o que a Rússia está fazendo é apenas defender os seus interesses estratégicos na sua vizinhança, assim como os EUA defendem os seus no Afeganistão e no Iraque, que não são seus vizinhos diretos, mas vizinhos dos vizinhos, dos vizinhos, dos vizinhos, dos vizinhos dos seus vizinhos.

Simples assim.

É a geopolítica, idiota!

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