domingo, 23 de março de 2014

O Brasil quer a ditadura, mas poucos tem coragem de dizer



Vou deixar, rapidamente, a minha reclusão obreira para dizer algumas palavrinhas a respeito da Marcha (essa da família, mas diferente da original, sem a palavra Liberdade).

É sintomático que a palavra Liberdade tenha sido suprimida de faixas e cartazes, das falas e das convocações.

Essa ausência exprime com meridiana clareza o que essa gente quer: restaurar um estado de exceção no qual as vítimas da arbitrariedade sejam exatamente aqueles que se opõem à opressão e à falta de liberdade.

Nesse sentido os marchadores foram perfeitos.

O número de marchadores não chegou a 2.000. Cá pra mim, até achei muito. Entendia que não chegaria – em todo País – 1.200/1.500.

Se preocupação há não é com os cerca de 2.000 marchadores de rua, mas com os marchadores que “apoiam a causa” e covardemente não saíram (não saem) às ruas.

Talvez se multiplicarmos isso por 50 mil cheguemos a um número mais exato do descontentamento datenista e piguista.

Datenização

É a escandalização e a normatização do noticiário policial que vai desde os programas ditos popularescos, como o do Datena, até ao Jornal Nacional da Rede Globo.

Um fato violento se transforma numa norma de conduta.

Exemplos: todos os beneficiários do indulto de natal violentam e matam mulheres jovens e um assalto que termina com a queima do corpo da vítima vira ato recorrente.

Piguismo

As notícias não podem, por suposto, ser positivas, especialmente quando se referem a atos do governo e dos políticos em geral.

Exemplo: a compra pouco clara de uma refinaria no exterior pela Petrobras vira um rumoroso caso de corrupção sem que o(s) acusado(s) tenha(m) direito ao contraditório.

Embora boa parte das mazelas sociais venha das elites (da classe empresarial e de seus bajuladores), essas elites estão fora desse enquadramento, a não ser em casos absolutamente não-escondíveis, não-desprezíveis.

Introjeção

É o “processo pelo qual um indivíduo adota e se deixa influenciar por crenças, valores etc. de outros indivíduos ou grupos” (http://aulete.uol.com.br/introje%C3%A7%C3%A3o#ixzz2wmYiibrf) (soc.)

O que há, portanto, é uma introjeção da visão (sentimento) negativista, impulsionada pela distorção de fatos e acontecimentos a partir do noticiário da imprensa e/ou dos programas populares de entretenimento.

O mundo é ruim e apenas uma ação das forças de segurança (polícia + forças armadas) para “colocar a casa em ordem”, valendo-se, inclusive, da tortura e da morte não-natural e violenta, e da quebra da ordem (supressão da constituição e dos direitos civis).

Dilma

Numa hora macabra como esta não há que se ser condescendente com ninguém, muito menos com a chefe da/do Nação/Estado, a senhora Dilma Rousseff.

O que está ela a esperar para fazer a roda do Estado de direito andar?

O que se tem pedido – mesmo que os covardes não tenham coragem de sair às ruas – é a queda da ordem constitucional, e a ação desbragada e violenta dos grupos de extermínio, das forças de segurança etc.

Bella Italia

Ao combater o terrorismo na década de 70, início dos 80, especialmente após o sequestro e morte de Aldo Moro, pelas Brigadas Vermelhas, o Estado italiano não se socorreu de métodos nada ortodoxos – sequestros, torturas, assassinatos seletivos etc. e tal. Pelo contrário, usou a inteligência para infiltrar-se nos grupos (eram diversos, especialmente de esquerda), desbaratá-los, prender os seus membros, levá-los a julgamento e encarcerá-los em prisões.

Usou a inteligência e a força das leis (os tais dos direitos humanos, para ser generalista).

Ou seja, a Itália não se socorreu de artifícios ditatoriais e de exceção para combater e eliminar os inimigos da Democracia.

E a senhora, dona Dilma, tá esperando o que? Godot?


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