sexta-feira, 7 de março de 2014

Mesmo nas trevas é preciso ver as luzes da revolta




Crédito da foto: oesquema.com.br 

Não, não se preocupem que não é poesia. É o de sempre: discurso, fala, política comportamento.

Já me disseram que preciso parar com a minha vidinha medíocre e escrever “mais profundamente” sobre a contracultura, aquela que erroneamente é localizada (apenas) nos anos 50/60 e parte dos 70.

Erroneamente porque contracultura é contracultura; é aquilo que se opõe desde sempre à cultura oficial, ao senso comum - este mar imenso no qual sempre estamos nos afogando.

É capaz! Quem sabe um dia? Num ranchinho a beira-chão ao lado de um caudaloso rio amazônico, com um computador mesmo que movimentado e estimulado a energia de gerador movido a óleo diesel, sem internet e sem telefones, apenas com um carro que me leve (às vezes) a um “centro civilizado” que possua bibliotecas e acesso à web.

Vai saber! Quem sabe isto esteja mais perto que imagino?

Não tenho gostado a rider que a academia anda a fazer na contracultura. Entendo que há uma mesclagem indesejável entre o movimento hippie ou hipismo, com as lutas do assim chamados direitos civis, do movimento feminista/women's lib, do black power / movimento negro, do chicano’s power / movimento dos latino-americanos e do movimento pela Libertação Gay.

Tudo num pacotão só. Como se uma coisa fosse as outras, e todas uma coisa só.

Há sonhos que não se combinam. Há sonhos emancipatórios, de ruptura (hipismo), e os sonhos de integração, de participação ao/no sistema (negros, mulheres, latino-americanos, gays).

Uma coisa não é a outras; as outras não são uma.

Movimento hippie

A contracultura, conhecida também como movimento hippie, se caracterizou por uma “passagem”, por uma “ruptura” com e dos movimentos emancipatórios, encarnados pelo anarquismo histórico.

Ruptura porque nos levou ao hedonismo presente; passagem porque trilhou do tribalismo (expresso nas comunidades) ao ativismo individualista.

É isso que está por se discutir, está por se refazer no equivocado caminho trilhado pela academia e seus acadêmicos: a não-visão (clara) da saída do comunitarismo cristão-primitivo para a aventura do hedonismo-individualista do presente.

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