quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Por que podemos odiar a imprensa



Jornalista criticar a imprensa e colegas jornalistas não é das tarefas mais simples.

Sempre nos cerca a questão do corporativismo, embora eu não tenha lá esse problema específico.

Já me desentendi com dois sindicatos de jornalistas – o de São Paulo e do Amazonas que por duas vezes me ameaçou expulsar.

Vez por outra, porém, não dá para não criticar, citando nominalmente veículos e outros jornalistas (ou, pelo menos, gente que se acha jornalista e é reconhecido como tal).

Vez por outra uso a expressão PIG (Partido da Imprensa Golpista) – mais nas redes sociais que neste afalaire – e não muito eventualmente falo de um ou de outro profissional de imprensa que considero idiota e/ou mau caráter.

A minha condição de militante dos direitos humanos está acima da profissão.

A minha cidadania está acima da minha militância e acima da profissão.

Esconder a cara foi o que nunca fiz, mesmo em momentos agudos quando atuava nas bases com comunidades indígenas e de sem-terra.

A Globo

Mas eu quero mesmo aqui é falar das últimas presepadas da Globo, ou das organizações Globo como um todo.

Há década não vejo a TV Globo (aberta). Quando trabalhei no jornal O Tempo (de Belo Horizonte) – na segunda metade dos anos 90 - era obrigado ouvir a mesma baboseira alienante toda vez que começava o Jornal Nacional: “vamo lá, putada. Vai começar o principal jornal (sic) do Brasil”.

Nunca dispensei um mísero olharzinho ao aparelho de TV que ficava logo acima de minha cabeça.

Não podia e não queria descer a esse nível asqueroso de subserviência e de babaovice.

Se não vejo nada da Globo? Vejo! Vejo a Globonews, alguns de seus telejornais e, vez ou outra, os debates do sábado à noite do demonizado Wiliam Waack.

Minha quota global se encerra por aí.

Freixo

A Globo está jogando pesado contra o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol/RJ) e dando espaços (um bocado exagerados) ao advogado Jonas Tadeu, que acusou o deputado de financiar os black bloc.

Jonas Tadeu depois meio que voltou atrás. Todos fazem isso: jogam a merda no ventilador e depois dizem que “não é bem assim”.

E quem é Jonas Tadeu?

Vamos a uns trechinhos da coluna de hoje de Jânio de Freitas na Folha de São Paulo:

“O advogado Jonas Tadeu enveredou por caminhos pedregosos e de direção incerta. Tanto se pode supor que levem a mais desvios da verdade para servir a seus dois clientes do momento como se pode suspeitar de objetivos muito maiores.”

“Jonas Tadeu é reconhecido como muito habilidoso nas artimanhas próprias da advocacia que pratica. Para quem duvide, uma credencial de peso, no gênero: já foi advogado de Natalino Guimarães, preso em 2008 sob acusação de chefiar uma das mais poderosas milícias da Baixada Fluminense.”

Tadeu já teve de se ver frente a frente com Freixo por conta de uma CPI na ALE fluminense sobre grupos de extermínio.

Tem mais alguma coisa nesse interesse do advogado em criminalizar o parlamentar?

Ainda Jânio na coluna de hoje:

“Por que não também o possível interesse da direita, que toma outras muitas providências de organização encoberta para impor-se na sucessão presidencial?”

E aí temos de voltar necessariamente à Globo.

Quem se esquece da história do Proconsult e da eleição de Leonel Brizola para governador do Estado do Rio (1982), numa época na qual ainda não havia urna eletrônica e os votos eram contados nas mãos, um a um?

Deu pra perceber por que muita gente ainda hoje posta coisas nas redes sociais dizendo que as urnas eletrônicas “não são confiáveis”?

Um dos dirigentes do Psol acusou ontem a Globo de querer fazer do Rio de Janeiro um grande balcão de negócios.

Alguém pode duvidar disso?

Outros acusam a Globo de tentar desestabilizar o governo da presidente Dilma e evitar a sua reeleição.

Não foi a Globo que, semana passada, orientou os seus repórteres a desprezar fatos positivos com relação à Copa do Mundo?

Alguém pode duvidar do caráter e das intenções da Globo e de seus profissionais?

Ah, claro que tem gente que vê o mundo pelo outro lado do espelho, como o tal do batman do Leblon que se deixou filmar cantando e dançando ao som da música da Globo “Hoje é um novo dia” e por aí vai.

Como se dizia em Cotia antigamente: “há bobo pra tudo”.

Alguém pode reclamar que estou muito apressado e não me lembrando dos editoriais do jornal O Globo apoiando o golpe militar, das inúmeras matérias sobre a caçador de marajá, da manipulação do debate Collor  X Lula, da transformação de um protesto pelas Diretas Já em comemoração pelo aniversário de São Paulo.

Meus parcos leitores são inteligentes. Não mereceriam isso.

Os idiotas que acreditam em liberdade de imprensa e na rede Globo não leem o afalaire. Quando muito uma coluna apenas para nunca mais.

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