sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O MST e uma imagem chocante



Entre memes, imagens manipuladas em photoshop e outras distorções o que mais me chamou a atenção e causou perplexidade, nestes últimos dias, foi esta foto acima que ilustra este texto.

Não sei de quem é a imagem. Eu a retirei da postagem de um sujeito que odeia o PT, a Dilma, os sem-terra e os movimentos sociais em geral.

NÃO! A imagem não foi manipulada. Não foi editada. Não passou por photoshop ou qualquer outro tipo de manipulação.

É uma foto real de um momento: um grupo de sem-terra com a bandeira do PT dando apoio à presidente Dilma Rousseff.

Então qual é o problema da foto?

O uso indecoroso e desonesto que se faz dela nesse caso.

É uma espécie de prova de que esses “baderneiros” (sic) do MST apoiam a “guerrilheira” (sic) Dilma Rousseff que “está acabando com o País” (sic).

Trata-se de uma prova contundente da falência moral na qual imergiu parte considerável da sociedade brasileira. E exatamente a parte da sociedade que arrota moralismos, obviamente desde que com relação ao comportamento alheio (gente da qual, geralmente, não gosta).

Mas é mais do que isso.

É uma prova contundente de que a imprensa engajada em destruir o MST (e os movimento sociais em geral) começa a vencer a batalha da (des)informação.

Poder

Guardadas as proporções de tamanho (população + território) e de poder financeiro, a Rede Globo é considerada (por estudiosos da mídia) como a rede de TV mais poderosa do mundo.

E faz jus, pois em um País – independente da classe social das pessoas – de 200 milhões de habitantes ela tem índices de audiências superiores a 50 pontos percentuais.

Abaixo disso, a Globo estima sempre em liquidar com o programa, seja ele qual for.

Em termos objetivos, muito mais que a metade da população brasileira se informa e se entretém assistindo à programação da Rede Globo.

E a gente já sabe como a Rede Globo se refere ao MST    e aos movimento sociais em geral.

O seu discurso unilateral não apenas é absorvido pela (enorme) audiência, como ainda reverbera nos outros meios de comunicação (jornais, revistas, rádios, outras TVs, sites, blogs, redes sociais e etc.).

Ou seja, o Brasil médio (na média da sua população, independente da classe social) se pauta pelo que diz e divulga a Rede Globo de Televisão.

Não há espaço para o contraditório.

As defecções , quando ocorrem, são tidas como desvios de conduta, como esquerdismo atemporal, como manifestações de inveja e de ressentimento, quando não de apoio explícito às “bandidagens” (sic)  praticadas pelo Partido dos Trabalhadores e pelas ONGs (seja lá o que isso queira dizer).

Mas não por acaso, parte das manifestações de rua têm como alvo os profissionais da Rede Globo (e de outros veículos), mas de pronto, na tela da TV, esses manifestantes também são criminalizados (“vândalos!”), criminalização que se espalha rapidamente por outros meios de comunicação e pela opinião pública que a aceita (a criminalização) sem ao menos se dar ao trabalho de refletir sobre o porquê parte das manifestações são dirigidas contra os meios de comunicação (mais especificamente contra a Rede Globo).

Mas talvez, pensando melhor, a opinião pública brasileira já não tenha mais a capacidade para refletir e para pensar por si só, a partir de seu próprio conhecimento e de sua experiência.

E isso é bastante preocupante.

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