terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Jornalista e delegado tentam matar Chico Buarque de Holanda




O programa Roda Viva (1986), da TV Cultura de São Paulo, nasceu na esteira da música de mesmo nome, de Chico Buarque de Holanda (1967), e da peça de teatro homônima do autor, de 1968.
Seria um contraponto – e foi por muito tempo – às diabruras da Ditadura Militar, que entre outras mazelas legadas ao povo brasileiro censurava da imprensa.
Em alguns momentos de sua existência, o Roda Viva da TV Cultura foi um verdadeiro tribunal popular contra os malfeitos do governo e dos poderosos.

Nas suas idas e vindas, e envelhecimento natural, o Roda Viva chegou ao fundo do poço (se é que poço no Brasil tem fundo) e o programa de ontem, com Romeu Tuma Júnior, foi o fundo do fundo do poço cavado no deserto de Atacama.

Mas é bom aguardar, pois o programa pode nos reservar algumas surpresas para o futuro.
Capitaneado pelo insofismável Augusto Nunes, que foi coadjuvado por Ricardo Setti (ambos da revista Veja... ó coincidência!), o programa se propôs a desvendar as entranhas acusatórias do livro “escrito” por Tuminha: “Assassinato de Reputações: um Crime de Estado".

Peraí! O Tuminha disse que o “Assassinato...” não é uma peça de acusação, mas de defesa.

Já voltamos a isso daqui a pouco.

O programa teve de tudo.

Teve até a dupla de policiais de cinema – o policial bom, Setti, e o policial mau, Nunes.

Contra Tuminha? Não contra os outros colegas da bancada (eram mais quatro jornalistas, mas não vou declinar os seus nomes aqui não. Já não basta o aperreio pelo qual passaram ontem à noite?).

E teve corredor polonês – Nunes e Tuminha – que aos berros e com palavrões interrompiam os coleguinhas que ousavam questionar o laborioso “polícia” sobre provas que ele teria para embasar o seu livro acusador.

Peraí... Tuminha falou que não é livro de acusação, mas livro de defesa.

Então vamo que vamo.

Não viu? Não veja

Quer saber: se você não assistiu ao programa nem perca tempo.

A menos que você seja um daqueles crentes fervoroso, um fanático descabelado... aí é outra história.

E quer saber mais? Nem dá para perder tempo com o livro e com o programa.

Mas antes devo voltar (como o prometido acima) à questão de ser o livro uma peça de acusação ou de defesa.

Se é apenas de defesa, já que o laborioso “polícia” diz ter a sua reputação manchada durante sua passagem pelo primeiro governo de Lula da Silva, o que estão fazendo no livro “informações” (sic) de que o ex-presidente foi dedo-duro da Ditadura ou que um grupo ligado a José Dirceu matou o prefeito Celso Daniel, e outras preciosidades literárias?

Por acaso, quando se “manchou” a reputação do bravo “polícia” se acusou o bravo “polícia”, por exemplo, de matar Celso Daniel a mando de José Dirceu?

Ou o bravo “polícia” de levar Lula da Silva à força e sob tortura para dentro do Dops para dedurar a “companherada”?

Entendeu? Você consegue ver alguma conexão entre a baba do lobo da estepe e a fuligem expelida pela chaminé de uma fábrica em Cubatão?

Nem eu!

Preocupação

Mas o que me deixou preocupado não foi nada disso.

Foi saber que o “Assassinato de Reputações: um Crime de Estado" já vendeu 60 mil exemplares.

Isso é algum tipo de epidemia?

E o Ministério da Saúde não toma qualquer providência para contê-la? Vai que ela se espalhe por todo País e avance para os países vizinhos?

Não está na hora de pedir ajuda à Organização Mundial de Saúde e à ONG Médicos Sem Fronteiras?

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