terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Como meio de informação a internet é um fracasso




Na montagem, acima, a foto manipulada da militante Sininho projetada à frente de uma ação dos blac blocs, no Rio, (revista Veja); abaixo, Sininho (na foto original) perto de uma delegacia de polícia no Rio, onde foi prestar depoimento sobre os protestos recentes na capital fluminense.

O jornalista e professor Eugênio Bucci – que de 2003 a 2007 dirigiu a Radiobrás, no primeiro governo de Lula – defende que a internet não é mídia (meio, meio de e para informação). Já discordei da sua “tese”, mas em parte ele tem razão.

Discordei porque na internet está a quase totalidade dos meios de comunicação tradicionais – jornais, revistas, rádio e TV – e há importantes sítios e blogues (novos e não tradicionais) totalmente dedicados à informação e às notícias.

No que Bucci está certo – embora ele não tenha usado esse caminho de argumentação -  pode-se dizer que a internet – e todos os seus penduricalhos, tipo redes sociais – não é eficiente como meio universal de informação.

Um levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo no calor dos protestos de junho de 2013 no Brasil demonstrou que mais de 90% das notícias lidas/curtidas/compartilhadas na internet foram as produzidas pelos veículos tradicionais de comunicação.

Estudos e projeções mais recentes mostram que não apenas a informação (confiável?) continuará sendo maciçamente produzida por profissionais de jornalismo e gente especializada, como ainda que a população em geral (no Brasil e no exterior) mostra pouca ou quase nenhuma tendência a acessar a informação produzida por outras mídias que não as tradicionais.

Eis uma questão fundamental que derruba o (suposto) “universalismo” da internet.

Pré-conceitos

Não acessar outros conteúdos, porque não gosta de quem o produz e nem do meio em que é produzido, é insensato, e apenas faz coro ao que muita gente já disse com mais profundidade: as pessoas (em geral) apenas leem, ouvem e assistem aquilo que corrobora com as suas verdades já (pré) estabelecidas.

Pessoalmente não gosto e não concordo com o Reinaldo Azevedo e a revista Veja mas os leio (mesmo que precária e eventualmente); assim como discordo de praticamente tudo o que escreve o jurista Ives Gandra Martins (mas mesmo assim leio os seus artigos).

OK! Sou jornalista e minha obrigação é ler, ouvir e assistir a tudo e a todos (na verdade não é possível fazer isso).

Muita gente argumenta que além de não ser jornalista (e portanto não ter obrigação profissional de ler, ouvir e assistir a tudo e a todos) também não tem tempo, pois trabalha e/ou estuda muito, e que não lhe sobra tempo para esse diletantismo informativo.

A desculpa é péssima. Insustentável. As pessoas têm um bocado de tempo para jogar na internet, acessar sítios de conteúdo sexual, passar horas em bares bebendo e dizem não ter tempo para acessar conteúdos diversos na internet?

A desculpa me seria surpreendente caso eu não conhecesse nada do comportamento humano. Acontece que eu conheço.

“O Senhor é meu pastor...”

E, portanto, “nada me faltará”.

Um texto publicado no sítio Opera Mundi (“Protestos na Venezuela: web é usada para difundir imagens falsas ou descontextualizadas” (http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/33992/protestos+na+venezuela+web+e+usada+para+difundir+imagens+falsas+ou+descontextualizadas+.shtml) causou revolta nos leitores tracionais (conservadores) e o mais que se vê nos comentários é que nem a Folha de São Paulo (o sítio está hospedado no Portal UOL) e nem a revista Veja informaram uma vez sequer sobre a (suposta?) manipulação das imagens.

Ou seja, para esses leitores revoltados se não saiu na Veja e na Folha e não deu na Globo certamente a informação do Opera Mundi está errada, foi ela manipulada (a informação) e não as imagens adulteradas (embora o Opera Mundi publique imagens de procissão católica usadas como protestos contra o presidente Maduro e  de acontecimentos que ocorreram em outros países - no Chile e até na Europa - como se tivessem ocorridos em Caracas).

Ou seja, voltamos ao que se disse acima: as pessoas apenas acessam (e acreditam, como se informação fosse um ato de fé) textos, áudios e vídeos na internet desde que eles corroborem com o que já está arraigado nas suas mentes.

Frente a isso tudo não se pode esperar que algum dia – mesmo em futuro ainda distante – a internet venha a ser um meio universal de informação, independente das convicções ideológicas e políticas de cada um de nós.

À internet não basta ser plural e democrática; ela necessita que o consumidor de informação também seja plural e democrático, mesmo que para ratificar tudo aquilo no qual acredita.

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