domingo, 23 de fevereiro de 2014

Caetano Veloso é o nosso antropófago-mór



Caetano Veloso se meteu, no último ano e meio, em duas pendengas fenomenais: a não autorização de biografias e o apoio explícito aos black blocs.

É a cara de Caetano. Não passa ano em que ele não se meta numa grande confusão. O mano Caetano já xingou plateias, já quebrou violão no palco, já se vestiu de odalisca, já homenageou (com ódio) São Paulo (“Sampa”) e já disse besteiras homéricas como “Lulu Santos é um gênio”.

Parte considerável das esquerdas odeia Caetano Veloso. Muitos creditam esse ódio à fala de CV ao chamar Lula de ignorante.

Não veio dai o ódio. Em plena a ditadura, com a repressão ainda em alta, Caetano Veloso fez o disco “Bicho” (1977), e uma das faixas era “Odara”.

Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara / Minha cara minha cuca ficar odara / Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara / Pra ficar tudo joia rara / Qualquer coisa que se sonhara / Canto e danço que dara”.

Embora no hinduísmo a palavra odara signifique paz ou tranquilidade, Caetano a trouxe do iorubá: belo, bonito, gostoso.

O apoio caetanista aos mascarados se insere no mesmo movimento que alavanca a carreira de Maria Gadú, uma séria candidata à pior cantora de todos os tempos.

Caetano gosta de “correr perigo, vem correr comigo”, assim como o seu maior detrator musical, o cearense Belchior.

“Odara” é uma ode ao narcisismo, ao culto ao corpo, ao prazer carnal e sem medidas, aos moldes de outro tropicalista, o encenador José Celso Martinez.

Comunista que se preze é mal humorado e tem na transa (que também dá nome a um dos discos de Caetano – 1982) um ato mecânico e procriativo.

Assim como Martinez e Oswald de Andrade, Caetano é uma “metamorfose ambulante” (RS), um antropófago pós-moderno. Por isso está distante da geração atual de jovens, cada vez mais ignorantes.

Como explicar a um coxinha e a um muleque da favela o que é antropofagia cultural?

Não dá. Melhor jogar game ou bola com eles.

Freixo X Globo

Caetano acabou de se meter em outra confusão: alvejou o jornal O Globo por conta da criminalização do deputado estadual (RJ) psolista Marcelo Freixo.

Com um detalhe: Caetano é colunista semanal do jornal carioca.

O Globo reagiu e depois recuou. Caetano é Caetano, O Globo é o O Globo.

Dizem as boas línguas que “quem tem cu, tem medo”.

A nova antropofagia de Caetano foi saudada por Alberto Dines, em artigo no Observatório da Imprensa:

Lição de Caetano Veloso: Um ombudsman faz-se: com decência e coragem” - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/um_ombudsman_faz_se_com_decencia_e_coragem .

Diz AD:

O texto assinado pelo poeta-compositor-cantor Caetano Veloso na edição de domingo (16/2) do próprio Globo, condenando as caluniosas insinuações do jornal feitas sete dias antes contra o deputado fluminense Marcelo Freixo (PSOL), foi fulminante: na manhã seguinte, O Globo sentiu o golpe, fingiu que não era bem assim e que seu comportamento foi correto.
E capitulou na segunda-feira (17/2), por meio de um grande editorial com inusitada chamada na capa, praticamente na mesma localização da perfídia da semana anterior contra o parlamentar, com um pretensioso título que só engana os focas: “O dever de um jornal”.

Para entender mais, leia:

Freixo outra vez – Caetano Veloso

O dever de um jornal – ‘OG’

(ambas as indicações retiradas do Observatório da Imprensa).

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