sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Fernando Haddad morre em São Paulo


Crédito da foto: noticias.gospelmais.com.br 

O advogado, professor e prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, 51 anos, morreu ontem vítima de espancamentos e sevícias.

Haddad, que foi ministro da Educação de 2005 a 2012, era filiado ao Partido dos Trabalhadores e nome (quase) certo do partido para concorrer à Presidência da República a partir de 2018.

Não morreu?!?!?

Morreu sim! Politicamente está morto em São Paulo, assim como Luiza Erundina e Marta Suplicy.

Explico.

Como Erundina e Marta, Haddad morreu para cargos executivos em São Paulo (Município ou Estado).

São Paulo é o túmulo do PT. Já volto a essa história de túmulo já, já , pois São Paulo é o túmulo de muita coisa.

O depoimento mais chocante sobre Luiza Erundina que recolhi, recolhi no interior de uma van: “essa baianinha não se elege pra mais nada aqui em São Paulo.”

Quem viaja em vans? Caras duros e pobres como eu. Se a pobreza está falando isso, adios muchacha.

Assim como Erundina e Marta, resta a Haddad o legislativo (estadual ou federal) ou algum ministério (todos os três já foram ministros de alguma coisa).

Para a Prefeitura paulistana ou para o governo do Estado eles não se elegem mais.

Haddad já estava moribundo desde junho de 2013 quando foi espancado pela Polícia Militar de São Paulo, comandada pelo governador Geraldo Alckmin.

Nem se recuperara ainda da sova quando foi atropelado pelo caminhãozão da Fiesp. Anotaram apenas a placa do veículo: IPTU2014.

Ontem, o golpe final: novo espancamento, agora pelos agentes do Denarc, comandados pelo governador Geraldo Alckmin.

Se alguém quiser saber um pouco mais sobre o espancamento e a sevícia do prefeito paulistano deve entrar no Diário do Centro do Mundo e ler a matéria “Por que o número de investigações do MP está batendo recordes no governo Haddad?” - http://www.diariodocentrodomundo.com.br/investigacoes-do-mp-batem-recorde-no-governo-haddad/.

Crueldade e túmulo

Paulista é cruel. Sei do que estou falando pois sou um deles. Paulista não perdoa. É implacável.


São Paulo não merece um governante da pequena estatura de Geraldo Alckmin. Não adianta os detratores do estado argumentarem que ambos se merecem. Definitivamente não se merecem.
A ação irresponsável de Alckmin não atingiu apenas o prefeito Fernando Haddad. Foi um tiro no estômago dos que ainda apostam que São Paulo é humano. 
 Alckmin insiste em comprovar que aqui é o túmulo da política.”

O primeiro a dizer que São Paulo era o túmulo de alguma coisa foi Vinicius de Moraes: “São Paulo é o túmulo do samba”.

Boca falô, cu pagô”: o parceiro mais longevo de Vinicius foi Toquinho, um paulista “da gema” (“da gema” é uma expressão tipicamente carioca e cabe muito bem aqui).

Ouvir as massas

Jornalistas especializados(sic) em política, sociólogos e quejandos quase nunca acertam suas previsões por uma razão muito simples: não ouvem as massas, e massas a que se refere este texto são mesmo os pobres, os miseráveis; gente de baixa renda e parca escolaridade.

Ninguém melhor que elas (as massas) espelha tão fielmente a vontade dos poderosos.

Aliás, são elas as executoras da vontade dos poderosos.

Quando FHC bateu Lula da Silva pela segunda vez, assisti (confesso que perplexo, apesar de ser paulista e de conhecer a paulistanidade) um morador de rua dançando e cantando na Augusta: “ganhamos! Ganhamos”.

Em depoimento que está hoje em um blog qualquer (desculpe, perdi a referência) um “jovem da periferia”, gente pobre que participa de “rolezinhos”, diz ser “capitalista” como qualquer cara de classe média, que quer mais é consumir e que a única coisa que deseja do Estado é que lhe satisfaça as necessidades, mas que o deixe em paz.

Essas duas historietas e mais a da van da Erundina são reflexos sem retoques do poder e da vontade dos poderosos paulistas.

Da capacidade dos “donos da cidade/estado” de induzir a sua plebe, o seu proletariado a prear índios e pretos fugidios, como se todos fossem bandeirantes comandados por Fernão Dias ou Raposo Tavares.

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