segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dilma tem de escolher: o PMDB ou o povo



Os protestos anti-Copa deste final de semana reuniram menos gente do que o prometido pelos apoios expostos nas redes sociais (é sempre menor mesmo), mas foram bem maiores que o aguardado pela Presidência da República e pelos apoiadores do PT.

Um desses fanáticos defensores do lulopetismo viu fiasco nas manifestações. Fiasco seria se ao todo – como já aconteceu em outras ocasiões – no Brasil todo se mobilizasse menos de duas mil pessoas.

Não foi isso que se viu. Só em São Paulo (onde houve confrontos) o número de manifestantes passou fácil, fácil de três mil pessoas.

O fanatismo e/ou o puxa-saquismo sempre provoca esse tipo de observação estúpida.

Levantamento feito pelo instituto DataFolha mostrou que mais de 80% dos participantes dos protestos do final de semana era gente da periferia.

Isso quer dizer que os coxinhas de classe média não colocaram os seus tênis para sujar ainda.

Isso tirou a sono da presidente Dilma e do seu staff palaciano e partidário, tanto assim que várias reuniões já foram agendadas e estão acontecendo, embora a presidente esteja em viagem.

Os apoiadores do lulopetismo partiram para a demonização dos black blocs – com a ajuda até do insuspeito Reinaldo Azevedo (Veja/Folha).

Não adianta. O circo já pegou fogo e o fogo promete se alastrar daqui para a Copa do Mundo, e quiçá até para depois.

A Presidência da República cometeu um equívoco ao deixar que o Ministério da Justiça divulgasse no final de 2013 aquele manual de contenção dos protestos, onde se classifica os manifestantes como “inimigos públicos”.

A Presidência tenta consertar o estrago, mas agora já é tarde.

PMDB

Quando das manifestações de junho passado, a Presidência tentou mostrar-se ágil e respondeu com promessas de reformas estruturais.

O arrobo da Presidência foi seguro pelo PMDB.

O PT está refém dos “donos do Brasil”.

Se o modelo de representatividade popular na República está esgotado – como dizem vários analistas – a Presidência da República só tem uma saída: livrar-se do PMDB e acenar (e concretizar) com uma nova fórmula de interlocução população-governo.

Vai fazer isso?

É pouco provável que tenha forças para tanto, até porque estamos em ano eleitoral, e se alguma esperança havia de trazer para dentro da empreitada gente do PSDB e do PSB (para se contrapor aos peemedebistas), essa esperança já se foi - tanto por conta do próprio ano eleitoral, quanto por conta das hostilidades a que foram submetidos tucanos e socialistas.

Ninguém vai ajudar a pescar o peixe e deixar a presidente comê-lo sozinha.

Grosso modo a presidente Dilma está numa sinuca de bico, apenas amparada por um parceiro escorregadio (o PMDB) que quer lhe puxar o tapete com ou sem oportunidade.

Última esperança

A última esperança (que deveria ser o primeiro ato, não fosse a arrogância petista) é a população mesmo.

É necessário escancarar o governo às críticas dos diversos grupos sociais: da madame dos jardins ao morador da periferia, do índio aos homossexuais, do quilombola à classe média.

Escancarar e não retrucar, não enrolar, não contra argumentar.

Ouvir, ouvir, ouvir.

Mas, para isso, é preciso saber quem vai conter os urubus peemedebistas e os furiosos apoiadores do lulopetismo nas redes sociais?

Tem quem faça isso? Tem. A população.

A presidência vai fazer isso?

VAI NÃO!

Talvez ainda lhe reste uma sub-esperança. Hoje foi divulgado um dado interessante: os moradores da periferia representam 1/3 da população brasileira (periferia urbana essa mais susceptível ao discurso consumista da classe média e às promessas dos poderosos).

Quem sabe Dilma Rousseff venha a se apegar aos outros 2/3 para se salvar.

Se salvará? Vamos ver em 4 de outubro.

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