domingo, 26 de janeiro de 2014

A Copa do mundo será um tiro no pé


Crédito da foto: copadomundo.uol.com.br

Todo mundo – os pró e os anti – acha que a Copa do Mundo pode ser um tiro no pé da presidente Dilma Rousseff (pelo menos até agora candidata à reeleição).

Os pró estão apavorados (já disse isso aqui outras vezes) e tentam, mesmo que (alguns) discretamente, desqualificar os protestos de rua.

Mas pode ser o contrário: pode ser um tiro no pé dos anti.

Não há muitas razões objetivas para que a Copa “não dê certo”. O que está posto na mesa, está posto na mesa.

Se gastou muito dinheiro (e, em parte, inutilmente) com a construção dos estádios? Se gastou.

Mas cada um de nós mesmos gasta boa parte do que ganhamos em coisas inúteis, a maioria das quais nem sequer usamos ou precisamos, ou usamos precariamente.

Qual é a diferença?

O dinheiro gasto nos estádio é público!

NÃO É! É fruto de empréstimos junto ao BNDES, um banco estatal de fomento.

Se o dinheiro do BNDES for público, por extensão nossos caraminguás que temos em bancos estatais, como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal, também são.

São?

Responda você mesmo.

Papo “coxinha”

O grande mantra dos anti (repetido até por gente que é pró) é que esse dinheiro que foi “desviado” para a construção dos estádios de futebol melhor seria se empregado na Saúde e na Educação.

Correto?

ERRADO! O dinheiro do BNDES é destinado única e exclusivamente para infraestruturas (sejam quais forem elas: na indústria, no campo, no comércio, no entretenimento, na cultura, no saneamento e vai por aí).

Dinheiro para investimentos diretos em Educação e Saúde não sai de empréstimos do BNDES, mas de rubricas próprias, boa parte delas (a maioria, diga-se) dos Estados federativos.

Então por que as pessoas repetem o mantra? Por dois motivos: por ignorância ou por maldade.

Nos últimos 10 anos o Governo Federal triplicou os investimentos (diretos) tanto na Saúde quanto em Educação.

E foi exatamente daí que saiu o novo mantra dos “coxinhas”: “esqueçam os 500 anos”.

Explico.

Já li mais de uma vez, já ouvi mais de uma vez que os problemas atuais do Brasil (que são muitos, diga-se) são todos fruto dos últimos 13 (quase 14) anos de (des)governo petista, portanto, “esqueçam os outros 500 anos que eles não têm nada com isso”.

Acredite se quiser.

Pessimismo

Desde junho do ano passado essa é a principal pedra de toque dos anti. As manifestações de meados do ano passado, tanto quanto o são os rolezinhos e as manifestações de ontem contra a Copa, são manifestações políticas – mesmo que muitos participantes nem se deem conta disso.

A alienação costuma fazer estrago em cabecinhas pouco lúcidas.

Mas não há inocentes nessa história.

Em parte o Partido dos Trabalhadores têm culpa no cartório, pois entendeu de fazer a ascensão social sem a (necessária) contrapartida educacional (quero dizer com isso: fazer a cabeça da moçada).

A primeira das muitas crítica que fiz ao PT (isso lá no iniciozinho do partido) foi o seu descompromisso com a ideologia.

Quero que todo mundo vire petista ou comunista? Quero nada. A maioria das pessoas mal tem capacidade para calçar sapato, que dirá entender o processo histórico de exploração e alienação.

Mas foi uma irresponsabilidade do partido não explicitar à massa quem e por que um número insignificante (numericamente) de pessoas detém mais da metade das riquezas mundiais, enquanto a maioria chafurda numa não-existência, ou apenas numa existência vegetativa, “esperando a morte chegar”.

Os caras mais reacionários e caretas da sociedade compõem a maioria absoluta (duas pesquisas do DataFolha recentes explicitam bem isso) dos pobres e miseráveis deste País.

Se essa gente pode hoje comprar grifes falsificadas para “ficar bem na fita” e desfilar em “xopis centis”, com ou sem rolezinhos, essa gente continua praticando violência contra a mulher, agredindo crianças e idosos, desprezando índios e sem-terra e detonando a natureza.

Viajei na maionese?

Viajei não e você sabe bem disso.

A Copa das Copas

Óbvio que é um exagero marqueteiro do governo da Dilma Rousseff essa história da “Copa das Copas”, mas, como se disse acima, a Copa pode ser um tiro no pé dos anti.

Principalmente se o Brasil vencê-la, o que é um bocado provável.

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