quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O Brasil conservador entra 2015 dividido ao meio


Crédito da foto: arquivodepaginas.tripod.com

O ano de 2014 se encerra daqui a poucas horas com um Brasil rigidamente dividido. Muita gente já notou que é a primeira vez na história brasileira que isso ocorre.

O que é ótimo.

Já festejei isso e festejarei sempre.

Alguns temem que no futuro (próximo?) a divisão possa levar a uma guerra de secessão como a que ocorreu nos EUA de 1861 a 1865 ou na Rússia, em 1917, que acabou dando origem à URSS.

Em ambas o que ocorreu, na sequencia, foi a anexação de territórios. Alguém aí está interessado em anexar ao território brasileiro o Paraguai ou uma das guianas?

Creio que não.

Já existiram outras razões muito mais importantes para se dividir o País que a simples raiva de preconceituosos sulistas e sudestinos.

Embora possam formar uma maioria física, a quem sulistas e sudestinos iriam se juntar para lutar contra “o restante do Brasil”?

Besteira pura por qualquer ângulo que se veja.

Esquerda X Direita

Crédito da foto: www.vitoriareef.com.br
O brasileiro é conhecido por ser “um povo” conservador. Pesquisas velhas e recentes indicam que 70% dos nacionais se consideram e/ou são considerados conservadores.

Creio que seja pouco. Desconfio que seja um bocado mais.

Então como se explica que se elejam tantos políticos de esquerda no País?

Não se explica por um motivo muito simples: são poucos os políticos de esquerdas eleitos neste País; nunca na história deste país se elegeu governadores de esquerda ou presidentes da República esquerdistas.

A menos que se tome – e se toma – o Partido dos Trabalhadores, um partido pequeno burguês, como de esquerda. Ou se tomasse o antigo PTB, getulista, que como os petistas é um partido pequeno burguês, no máximo.

PT (é) e PTB (foi) partidos de centro-esquerda, e isso contando com a nossa boa vontade e imensa ignorância política.

Benefícios

A divisão do País em duas bandas (uma mais conservadora e outra menos conservadora) é salutar, porque assim sabemos mais claramente quem é quem. Quem está a fim de desenvolver programas sociais que incluam a maioria da população na lógica capitalista, e quem quer ainda um modelo espoliador de recursos humanos e naturais.

Mais do que isso já seria pedir e esperar demais do povo brasileiro.

Brasileiro que se preze quer preservar o seu bovinismo social, concordar com tudo o que está posto pelas elites e, em alguns casos, reclamar porque não está recebendo tudo aquilo que acredita merecer receber.

Simples assim.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Não sei se gosto das medidas de Fernando Haddad



Acho que não. Mas vamos a uma historinha ilustrativa antes.

Aqui em Brasília, este ano, um senhor de 70 anos foi aprovado em concurso público para um dos ministérios (não vou dizer qual não). O Governo Federal tentou impedir que assumisse o cargo, tendo como argumento a sua idade, a sua possível e provável curta vida útil como trabalhador e as doenças decorrentes da sua longevidade.

O senhor entrou na Justiça, ganhou e está trabalhando normalmente, e, segundo testemunhas in loco (sic), dando uma enorme contribuição ao serviço público e aos colegas – em razão de sua “vasta experiência”.

A primeira questão a ser levantada nesse caso é: se não quer se aceitar que num cidadão concursado e aprovado assuma suas funções, por que deixar que ele participe de concursos?

A resposta é simples: legalmente não se pode impedir nenhum cidadão brasileiro (a não ser em condições específicas) de prestar concurso ou de se candidatar a qualquer vaga de emprego, seja no governo, seja na iniciativa privada.

E se não se pode, razão legal também não existe para impedi-lo de trabalhar.

Beleza pura

Em American Beauty / Beleza Americana, de Sam Mendes, Lester Burnham, personagem vivido por Kevin Spacey, após deixar seu emprego de redator em uma agência de publicidade e se desentender com a intolerante e fastiosa esposa, Carolyn (Annette Bening), vai buscar um emprego “sem tanta responsabilidade” em uma loja de fast food.

De pronto é rechaçado pelo jovem atendente da lanchonete pela mesma razão usada contra o servidor brasiliense: a idade.

Lester Burnham reage, acusa o atendente e a loja de discriminação, e acaba sendo aceito no trabalho, onde, aliás, dá um flagra na esposa infiel.

Tarifa zero

A ideia do prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) de conceder isenção total aos usuários estudantes e pobres (eita conceito vago!) do transporte público é discriminatória, inconstitucional e absolutamente estúpida. Se não, um bocado demagógica.

O que Haddad está fazendo é praticando o mais elementar do coitadismo, em escala de política pública.

Qualquer cidadão paulistano ou simples usuário do transporte público da capital paulista poderá reagir e pedir tratamento igualitário ao dos estudantes e pobres.

Visão

Há quem veja na decisão de Fernando Haddad uma estratégia para esvaziar as manifestações deste ano que entra, a serem promovidas pelo Movimento Passe Livre (MPL), por conta dos esperados aumentos nas tarifas, em razão, óbvio, da subida no preço dos combustíveis.

Se é isso e se isso vai funcionar, vamos ter de esperar até o ano que vem.

Melhor ideia (embora não concretizada) foi a de Luiza Erundina, prefeita de São Paulo, e, à época, petista como Haddad, que propôs tarifa zero para todos os usuários de transporte coletivo, com o rateamento dos custos em três partes: prefeitura, governo do Estado e empresários do setor de transporte.

Vai nessa Haddad?