segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

É perigoso tentar ser inteligente



Pessoas e/ou organizações que gostam de fazer aquelas chatíssimas listinhas dos “mais mais do ano” provavelmente não indiquem como, mas a personalidade de 2013 acabou sendo o ex-técnico da NSA (Agência de Segurança Nacional) Edward Snowden

Eclipsou todo mundo, inclusive as moças do Pussy Riot, que o presidente Vladimir Putin está mandando soltar juntamente com mais 20 mil presos, entre eles um cara que será adversário de Putin nas próximas eleições russas.

As meninas do Pussy estão dizendo que é pura demagogia de Putin, e devem ter um pouco de razão.

Em períodos eleitorais tudo é possível.

Recentemente escreveu-se por aqui (a título de provocação) que a imprensa brasileira não traduzia o nome da banda por moralismo.

Uma “amiga” tentou ser inteligentemente irônica e perguntou se eu já havia visto alguém traduzir Rolling Stones.

É... realmente é a mesma coisa, têm o mesmo peso social e moral xoxota e pedra.

É perigoso tentar ser inteligente.

Vladimir Putin 2º

E o presidente russo é a subpersonalidade de 2013.

Grosso, rude, frio, Vladimir Putin soltou a melhor frase do ano: “Eu tenho inveja de Barack Obama”.

Ele estava falando da capacidade de os EUA conseguirem espionar todo o mundo.

A “reflexão” putiniana é uma sapatada na cara de gente mentalmente obesa, que acredita (ou aspira por uma) numa sociedade caretamente organizada, mentalmente obsoleta e socialmente inerte.

Tendo a acreditar que pessoas assim imaginem uma sociedade organicamente moralista, onde o mal não deve estar presente.

Onde nós todos possamos viver ordeira e pacatamente nossas vidinhas até que a morte nos pegue.

Quem sabe uma sociedade formada por querubins e serafins? Só não chamem o diabo para participar da festança.

Marx e a escolarização

O mínimo que se pode dizer de gente que “acredita em coisas invisíveis” é que não conhecem o velho e bom Karl Marx – e toda a sua reflexão sobre a formação do Estado – e tiveram uma educação (formal/escolar) precária, para não dizer indigente.

“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.”
(Canção do Tamoio / Gonçalves Dias)

IPTU, Haddad e STF

O STF barrou o aumento do IPTU proposto pelo prefeito paulistano Fernando Haddad.

Quem manda, Haddad (?): “A vida é combate, Que os fracos abate”.

Haddad foi frouxo, molenga.

Se é pra aumentar (e deveria), o aumento tinha de ser linear, pra todos: “pros fracos e pros fortes”.

Haddad quis fazer caridade com o chapéu alheio.

São Paulo não aguenta mais tanta gente assim: pobres, remediados, ricos e ricaços.

A cidade só melhora se diminuir de tamanho, e só diminui de tamanho se diminuir o número de seus habitantes.

O resto é conversa mole, papo furado, medidas paliativas.

Há milhões de pessoas - pobres, remediados, ricos e ricaços – que não têm nada mais o que fazer em São Paulo.

Se não têm, que tal morar em cidades mais quentes, menos poluídas, menos violentas, menos neuróticas, e que ainda tenham uma praia por perto?

Pra onde essa gente pode ou deve ir isso é problema de cada um.

Mas que a prefeitura de São Paulo poderia dar uma forcinha nesse êxodo, ah podia: aumentando o IPTU para todos, democraticamente.

Assim como em junho, quando estava passeando em Paris, enquanto a cidade pegava fogo, mais uma vez Haddad pisou no tomate.

Mesmo que a intenção não tenha sido a “melhor das intenções”, o STF acertou na mosca ao barrar o chororô do prefeito petista.

Desse jeito Haddad não vira sequer uma subpersonalidade de 15ª categoria: lhe falta cojones.