sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Esse é o legado que a UnB vai deixar para a História?


Crédito da foto: UnB

Alguns meses após mudarmos para Brasília fui a São Paulo e visitei um casal de amigos.

A filha mais velha deles (na época estudante de Direito no Largo de São Francisco) me questionou, perguntando se eu deixaria minhas filhas estudarem por aqui.

Disse que sim, que agora morávamos em Brasília e que a educação por aqui não era nem pior, nem melhor que a do restante do País.

A preocupação dela, no entanto, era com a universidade. Respondi que não daria palpite nas escolhas delas, que elas estudariam onde quisessem.

Senti uma indisfarçável pontinha de provincianismo nos questionamentos – todos nós, em alguma medida, somos provincianos.

Mas em sua defesa acrescente-se que a irmã estudava biologia em um campus da USP no interior do Estado, a mãe era professora e desenvolvia projetos importantes de reinserção de jovens na educação de base, e o pai era (e é) um renomado físico brasileiro que fora, inclusive, chefe do departamento de Física da USP.

Prestígio

O questionamento da futura advogada, porém, dá uma boa medida do prestígio do ensino universitário de Brasília em outras regiões brasileiras – especialmente no Sudeste e no Sul.

Não me parece que alguém se descabele vindo de Picos (PI), de Santa do Livramento (RS) ou de Patos de Minas (MG) para lutar por uma vaga na UnB, por exemplo.

Também não tenho notícias de alguém que voltou aos prantos para casa após “não passar” no vestibular da principal universidade da Capital Federal.

Mas também não nos fiemos nesses rankings universitários (nos quais a UnB quase nunca aparece), pois ranking de universidade é coisa parecida com escolha de miss ou premiação do Oscar.

Os médicos

A decisão do presidente do STF, Joaquim Barbosa, de escolher uma junta médica (cinco) para examinar José Genoíno também não ajuda muito a resgatar o prestígio da Universidade de Brasília.

O preso foi avaliado pelos cinco “doutores” da UnB em condições especiais: após estar “em casa” com seus familiares, após tomar sua medicação no tempo previsto e após se alimentar corretamente.

Convenhamos: comparar o estado clínico de Genoíno detido “em casa”, com o estado clínico de Genoíno preso na Papuda é como comparar água do mar com leite de coco.

E mesmo assim a junta médica unebesista viu por bem afirmar que o preso não precisa de tratamento especial e diferenciado.

Equívoco

Se Joaquim Barbosa apenas quis dar prestígio à universidade na qual estudou ou se apenas foi mais uma de suas decisões monocráticas que pelo menos escolhesse melhor os “doutores” e não apenas gente de militância declarada e ativa anti-petista.