domingo, 24 de novembro de 2013

Por que não conter de vez os insanos da Internet?


Crédito da foto: www.taringa.net

O jornalista Luiz Caversan disse na sua mais recente coluna na Folha de São Paulo: “Bye bye Facebook” - http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcaversan/2013/11/1375616-bye-bye-facebook.shtml - que “Deu. Esgotou. Cansou. Encheu.”

Caversan vai “tirar férias do Facebook, a rede social à qual me entreguei com prazer e dedicação nos últimos quatro anos”, que, porém, “desandou num mar de baixarias inomináveis”.

O jornalista diz que pode voltar, mas “A partir deste sábado (ontem) pretendo ficar ao menos uma semana ou dez dias (ou para sempre) sem nem sequer dar uma olhadinha na timeline. Postar alguma coisa, nem pensar, desperdício: estamos vivendo um diálogo de surdos e mudos que desprezam a linguagem dos sinais”.

O executivo (ex-Globo) Boni, o José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, em entrevista ao Roda Viva (TV Cultura), no início deste ano, disse que não tem Facebook, Twitter e outras redes sociais, exatamente para não ter de compartilhar o mesmo espaço com esses insanos, estúpidos e criminosos.

Fora de combate

Em 2011, uma das primeiras mídias eletrônicas (infelizmente não me lembro do nome, apenas sei que era do Rio de Janeiro) encerrou suas atividades sob o argumento de que era impossível continuar aguentando a enxurrada diária de “baixarias inomináveis”.

Seus editores argumentaram dias antes do encerramento que haviam feito uma série de reuniões internas para tentar enfrentar a situação, mas não viram outro caminho que não fosse fechar o sítio.

Se for mesmo essa a razão do fechamento, é bastante preocupante.

Isso quer dizer que gente ética, correta e honesta está sucumbindo à sanha criminosa desse tipo de detratores que se escondem sob nomes falsos ou no anonimato.

Paliativos

Alguns meios de comunicação, como o Jornal do Commercio (Recife), A Crítica (Manaus), O Globo (Rio de Janeiro), O Estado de São Paulo, exigem que os “comentadores” se cadastrem, mas não impedem que eles usem nicknames que os deixam irreconhecíveis ao leitor desse tipo de coisa.

A Folha de São Paulo já mudou três vezes a forma de se relacionar com os leitores-comentadores, e criou uma espécie de limite de comentários para os não assinantes.

Nada disso, porém, impede essa enxurrada de “baixarias inomináveis”.

Purismo

O problema dos meios de comunicação é que se acredita de verdade na boa intenção das pessoas e nessa falácia da liberdade de expressão.

Em um País pouco civilizado como o nosso, onde as pessoas cultuam com profundidade o ódio e o desprezo pela pessoa humana isso soa como “uma história pra boi dormir”.

O mais sensato seria bloquear – sem medo – os ataques pessoais, as mentiras, a estupidez sem medida.

Talvez isso faça com que os meios de comunicação percam boa parte dos seus leitores.

Mas quem quer ou pode conviver com tanta insanidade?

É preciso um pouco mais de coragem para colocar um fim nessa estupidez toda.

Ou, quem sabe, mudar-se a legislação, e responsabilizar os meios de comunicação por permitir que esse tipo de “opinião” seja veiculada livremente.

O messianismo da senhorita Greenpeace




Crédito da foto: www.hojeemdia.com.br 

Em “Os inúteis poluem o mundo com seus ódios, rancores e incompetências” (20/11/2013) - http://afalaire.blogspot.com.br/2013/11/os-inuteis-poluem-o-mundo-com-seus.html - este afalaire fez a defesa da ativista Ana Paula Maciel, do Greenpeace.

Maciel e outros ativistas da ONG ambientalista foram presos na Rússia.

No Brasil, os idiotas de sempre desfecharam um sem-número de ataques à ativista gaúcha, na comodidade dos nomes falsos ou do anonimato na Internet.

É disso que o post do dia 20 trata.

Acrescente-se, a título de informação, que quem escreve este blog não tem lá as maiores simpatias pelo ativismo ambientalista, muito menos pelas ongs-grife tipo WWF e Greenpeace.

O ativismo ambientalista é um desvio nas lutas sociais, quando não antagônico a essas lutas.

Muitas vezes – e não são poucas –, nessa luta pelo meio ambiente, se privilegia a natureza e se demoniza o ser humano.

O autor deste post está confortável nesse assunto, posto ter mais vivência e mais ações em defesa do meio ambiente em seu currículo que a maioria dos ambientalistas deste Planeta dilapidado.

Sobre o Greenpeace paira uma história, que tem ares de mito, de que a ONG provocou uma matança de focas para dar substância às suas teses conservacionistas.

Verdade ou mentira, o que a história passa é que se mata para preservar a vida.

Isso é um bocado estranho.

A WWF, apenas no Brasil, reúne uma série de escaramuças com grupos sociais (em Goiás, no Maranhão, na Bahia etc.). Em muitos lugares o grupo foi expulso pelos “naturais da terra”.

Dois exemplos: Terra Ronca (noroeste de Goiás) e Serra da Mesa (sul de Tocantins).

De fachada (1)?

Não se pode dizer que o ativismo da bióloga brasileira Ana Paula Maciel é de fachada, pois, afinal, ela foi à luta e acabou presa na Rússia. E nada disso é qualquer coisa.

No contra fluxo do ativismo midiático greenpeaceano recolhi algumas histórias interessantes de ativismo ambiental.

Vou aqui contar os milagres, mas não revelar os santos. Os atores são todos conhecidos “do grande público”. Se eles não alardeiam isso, não será este afalaire quem o fará.

- um professor e jornalista que mora em Santos e trabalha em São Paulo apenas usa transporte de massa em seus vários trajetos diários;
- um artista plástico do Rio que sequer possui telefone fixo, isso para não dizer que não tem celulares, tablet ou qualquer outro badulaque eletrônico, que mais polui o ambiente que nos ajuda;
- um ex-ator global que deixou tudo, dedica-se a trabalhar em uma favela carioca, se desloca de ônibus. Também não tem telefone, TV, tablet ou qualquer outra geringonça desse tipo.

De fachada (2)?

Em meio aos impropérios e xingamentos contra a ativista gaúcha, pelo menos um “comentador de internet” fez uma observação arguta e inteligente.

Quando Maciel deixou a prisão na Rússia, toda sorrisos, ostentava um brilhante aparelho dental corretivo (de que liga metálica mesmo?), um gorro e um cachecol (de tecido sintético ou de lã de ovelha?) e um grosso casaco, que a ele pareceu de fibra sintética, derivada de petróleo.

Perguntou ele, e repergunta este afalaire: “que ativismo ambientalista é esse?”

Messianismo

Em meio à enxurrada de impropérios dirigidos a Ana Paula Maciel estão coisas como “idiota”, “estúpida”, “cara de boba”.

Ninguém a conhecia, ninguém a havia ouvido ou lido, mas todos já tinham “aquela velha opinião formada” sobre ela e seu caráter.

Mas eis que Ana Paula Maciel falou.

Li a sua entrevista à Folha de São Paulo e a ouvi na Globo New.

Não disse coisa com coisa, ou melhor, falou o trivial, o de sempre, desfilou os velhos mantras do ativismo ambiental.

“Nada de novo no front”, portanto.

Mas é preocupante o quanto de messianismo está embutido no seu discurso: “salvar o mundo”, “fazer alguma coisa e não ficar sentada no sofá”.

Talvez tenha ouvido Raul Seixas demais e não o tenha entendido direito.

De cara, me veio a imagem de Antônio Conselheiro, o beato de Canudos, que queria restaurar a “ordem natural de Deus”.

De Conselheiro viajei até o século 16 e lá encontrei D. Sebastião, desaparecido na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, e que até agora não voltou para a casa.

Muitos portugueses ainda o esperam – e a isso se dá o nome de Sebastianismo.

Conselheiro também era sebastianista, assim como parecem ser Maciel e os ambientalista em geral.

Talvez Dom Sebastião seja o “bom selvagem” de Jean-Jacques Rousseau.

Vai saber.