sábado, 23 de novembro de 2013

Ué!!! Agora todo mundo virou ”defensor de bandido”?


Crédito da foto: Pastoral Carcerária

Um sujeito postou no Facebook foto (acho que da Amazônia) dizendo que se recebesse R$ 1,00 cada vez que a via reproduzida na Internet já estaria rico.

Pois então, se um militante de direitos humanos recebesse R$ 1,00 cada vez que o xingam de “defensor de bandido” estaria mais rico que o fotógrafo, e provavelmente fosse um feliz proprietário de uma mansão no bairro do Butantã, em São Paulo, igualzinha à “mansão-geminada” do José Genoíno.

Uma das lutas mais árduas e dolorosas dos defensores de direitos humanos neste portentoso País é pela reforma do sistema carcerário brasileiro.

Mas vá fazer essa defesa de público – no ponto de ônibus, no supermercado, na praça de alimentação do shopping center, na escola, na igreja...

“Coxinhas”, mocinhas cheirosas, jovenzinhos com cara de massa de pastel, velhinhos reacionários, niilistas idiotas, protofascistas, neonazistas, “malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal”(CBH), donas de casa com fastio... todos, em uníssono:

“Os bandidos têm mais é que apodrecer lá”, “passam o dia tomando sol no bem-bom”, “são uns vagabundos que vivem à custa do governo”... e blá, e blá, e blábláblá.

Voltinhas do mundo

“Tudo vai bem, mais eis porém que de repente / Um pé subiu e alguém de cara foi ao chão” (“Piston de Gafieira” / Milton Carlos).

O mundo dá voltas, meu caro ledor deste afalaire.

A história, assim como as fotografias, é cruel, talvez desumana, ou como se diz por aí: "nada como um dia após o outro”.

Eis porém que de repente tudo mudou.

Se o Genoíno pode receber tratamento privilegiado na prisão porque os outros presos não podem (?), gritam, indignados, os “coxinhas”, as mocinhas cheirosas, os jovenzinhos com cara de massa de pastel, os velhinhos reacionários, os niilistas idiotas, os protofascistas, os neonazistas, o “malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal”,  as donas de casa com fastio.

É preciso reformar as prisões brasileiras, dar um tratamento digno ao preso – são as novas palavras de ordem.

Opa, de bandido, o bandido passou à condição de preso que tem os seus direitos (humanos) violados pelo Estado?

É preciso reformar o sistema penitenciário brasileiro e dar uma vida digna a “essa gente”, bradam, em coro ruidoso.

Ufa, viramos todos defensores de direitos humanos?

Agora não somos mais defensores de bandidos? Ou somos todos defensores de bandido?

A escolha é livre. Estamos numa democracia.

Aleluia, irmão!