quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Os inúteis poluem o mundo com seus ódios, rancores e incompetências




Crédito da foto: noticias.uol.com.br 

A bióloga e a ativista do Greenpeace, Ana Paula Maciel, está sendo achincalhada pela internet (redes sociais, mas não só).

São coisas como “vagabunda”, “desocupada”, “idiota”, “cara de bobona”.

Há até quem preveja que ela volte ao Brasil e se candidate a “alguma coisa” (deputada federal?) e vá viver “do dinheiro público pelo resto da vida”.

É preciso separar esse tipo de gente para depois reuni-la novamente.

Onde mora a insanidade?

Um grupo é formado por “provocadores profissionais”, que dizem atrocidades como essas para chamar a atenção, provocar discussões e tirar um “sarrinho”.

Outro, por gente que crê mesmo no que diz, pois a sua vida é tão monótona e inútil que não acredita ser “um outro mundo possível”.

O que une esses dois grupos é o crime – o assédio moral e a difamação – e uma enorme incapacidade de reconhecer e aceitar o outro, e respeitar as suas escolhas de vida.

São criminosos, de qualquer jeito, que merecem ser investigados, julgados, condenados e levados para a cadeia.

Quem sabe para a Papuda.

Vida inútil

Não são poucos – todos nós já fomos vítimas desse bobajal todo – que numa discussão, por exemplo, sobre direitos humanos, ativismo ambiental ou social, usam como argumentos para ser contra: “eu trabalho muito”, “tenho de criar meus filhos”, “pago muito imposto”, “enquanto esses vagabundos vivem por aí, às custas do governo”.

Já respondi para pelo menos uma méia dúzia desse tipo de gente que eles trabalham muito, pagam muitos impostos e não têm tempo para mais nada porque são idiotas.

Há milhões de pessoas em todo o mundo que não fazem nada disso, e vivem muito bem, obrigado.

Desculpas, nada mais que isso

A rigor trabalhar muito, pagar muitos impostos, não ter tempo para nada são meras desculpas.

Funcionam como bálsamos para amenizar as suas incompetências, que os levaram a uma vida infeliz, medíocre, estúpida e sem sentido.

Essas pessoas são os novos escravos do Sistema (embora alguns até ganhem bem) ou , para usar uma expressão da Sociologia, são pessoas que fazem parte do “precariado”.

Gente de vida miserável, mesquinha; cuja existência se resume a meras funções sociais e fisiológicas.

Gente, como cantou Raul Seixas, que está sentada no trono, de boca aberta, esperando a morte chegar.


São inúteis. Despeitados. Incompetentes. Infelizes. Estúpidos. Amargurados. Reacionários. Conservadores.

O que está rachando o governo de Dilma Rousseff (?)



Para sermos fiéis à informação (sem maiores aprofundamentos) e corretos na análise, é preciso dizer, já de início, que a coisa não se iniciou no governo Dilma Rousseff, mas na primeira gestão de Lula da Silva.

Com Dilma o paradoxo apenas agudizou-se.

Se não vejamos.

Há um sem-número de funcionários de terceiro escalão, gente de segundo e alguns de primeiro que primam pelo discurso privatista, capitalista, neoliberal.

A rigor nada de mais, posto estarmos num País capitalista.

Capitalista, mas governado por um partido que se quer socialista.

Nunca vi o PT dessa forma, mas ele diz que é.

Mas não é não. É um partido trabalhista, portanto pequeno-burguês (para fazer uma homenagem aos meus amigos marxistas, que, aliás, não são poucos).

Despolitização

Gente mais à esquerda no Partido (ou o que sobrou da esquerda no PT) costuma acusar (a internet está cheia de artigos por estes dias) a dupla Lula-Dilma de “despolitizar” a política.

Concordo não.

Desde a derrota para Collor de Mello que o Partido tem “des-ideologizado” a política, para conquistar parte da Classe Média e a quase totalidade dos pobres e remediados, e vencer as eleições (presidenciais).

Essa é uma crítica que faço há um bocado de tempo.

Eu que não sou filiado e nem militante do Partido, mas um reles jornalista. Apenas um assuntador ou um observador (um pouco privilegiado).

Onde mora o perigo

A resmungação que por hora se vê, por conta dos ataques infames desfechados contra os Josés Dirceu e Genoíno na internet, aponta os dedos acusadores para Lula e Dilma.

Trata-se de uma mira que mira o alvo, mas com certa imprecisão.

Não se trata exatamente de uma novidade, bastando lembrar o que sofreu Lula da Silva quando internado no Sírio-Libanês, para tratar do seu câncer, ou o Chico Buarque de Holanda, que surpreso com os ataques que recebeu na internet cunhou a expressão “odiadores profissionais”.

Isso tudo tem pouco (ou nada) a ver com despolitização, mas com ausência de uma ideologia definida.

Em parte (embora sem uma mira precisa) a esquerda do Partido tem razão.

Mas a culpa não cabe apenas a Lula e a Dilma, mas ao Partido como um todo.

Quem aceitou cordeiramente essa guinada ao centro foram os filiados e os militantes do Partido.

Agora que o bicho começa a pegar culpa-se alguém?

Isso é tipicamente brasileiro.

É preciso olhar para dentro

Não creio que essa meia dúzia de gatos pingados que ofende e agride pela Internet consiga mais do que isso.

A questão é o que vem por aí, com essa nova leva de brasileiros que comem mais e vão mais à escola.

Esse tipo de gente é presa fácil para o discurso moralista, anticorrupção, anti-aborto, anti-gays... e essas asnices todas.

Sem ideologia e despolitizada, essa gente é massa de manobra nos ambientes de trabalho, na escola, nos lugares de lazer, nas igrejas.

E o problema, como se apontou acima, está dentro do próprio governo, e em seu exército de privatistas, de neoliberais, de gente que pensa como se ainda presenciasse o queda do Muro de Berlim - isso em plena segunda década do terceiro milênio.

O neoliberalismo já morreu. Morreu precocemente. E já vai tarde.

Se o PT quer mesmo fazer valer a previsão de José Dirceu – “50 anos de poder” – é bom cuidar dessa gente e dar-lhe um sonoro pé na bunda.