quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A especulação imobiliária está destruindo sem dó nem piedade


Crédito da foto: ubatubense.blogspot.com

O Secovi (Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis de São Paulo) está no olho do furacão da propinagem que rolou (e ainda rola) solta na Prefeitura de São Paulo.

Propinagem que a Folha de São Paulo quer porque quer empurrar para o prefeito Fernando Haddad.

Em meados da década de 90 tive de fazer uma matéria (paga/promocional) para uma agência no Secovi paulista (esse mesmo).

Eu também tenho o meu lado de mercenário do teclado. Aliás, já fui até chamado de pistoleiro do teclado por um político conservador do Amazonas.

Terminada a entrevista e desligado o gravador eu disse para o presidente do Secovi que não acreditava em nada do que ele me dissera, e que a especulação imobiliária em São Paulo estava acabando com o que restava de mais ou menos belo e natural no Estado.

Dei, inclusive, como exemplo o caso de Ubatuba (veja foto antiga da cidade acima).

“Ubachuva”

A região onde está Ubatuba, conhecida também por “Ubachuva”, pois por lá chove pra danar, é um dos lugares mais bonitos do Brasil. Faz parte de uma extensão de litoral que vai do Espírito Santo ao Paraná, e une Mata Atlântica e Oceano Atlântico.

A região continua bonita, apesar da especulação imobiliária e da exploração da “serra”, mas a vida e a beleza andam encurtadas por lá.

Foi a Serra do Mar que assustou os primeiros portugueses que por aqui chegaram. Vendo a imponência da Serra do Mar, eles imaginaram que no interior do continente recém-descoberto as “alturas” seriam maiores ainda.

Se enganaram. Exceção feita a alguns picos mineiros, nas divisas com os Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e da fronteira do Brasil com a Venezuela, o planalto central brasileiro chega, quando muito, a 1.200 metros acima do nível do mar.

Ubatuba / “Ubachuva” se transformou – por conta da especulação imobiliária - que favorece os novos ricos (nouveau riche) - num lugar ridiculamente cafona, com gente feia e fora de moda, que se acha, porque tem nas suas contas bancárias alguns caraminguás a mais que os outros.

“Feias, sujas e malvadas”

Uma recente pesquisa feita por operadores de turismo do mundo todo colocou a cidade de São Paulo como uma das 10 mais feias do planeta.

Vá lá que o planalto paulista, escolhido pelos jesuítas para fundar São Paulo, em 1554, não é exatamente um primor de beleza, mas a cidade foi se inchando, se deteriorando e essas coisas que todos nós conhecemos pelo menos por fotografia ou vídeo de TV.

Eu sempre disse que um sujeito pra viver em São Paulo deve ser valente.

Valente para suportar tanta feiura junto.

Obviamente que não é só São Paulo (e toda a sua Região Metropolitana) que sofre com a especulação imobiliária e com o consumismo idiota dos seus nouveau riche.

Basta olharmos para o Rio, BH, Manaus, Natal, Recife, Fortaleza, Vitória para enxergarmos o mesmo desprezo pelo meio ambiente.

Até mesmo Brasília, a cidade toda certinha, milimetricamente planejada, começa a sentir os efeitos dessa burrice colossal.

E as perspectivas para até 2050 são as mais trágicas possíveis.

Voltando ao Secovi

Abaixo segue uma matéria da Rede Brasil Atual sobre a responsabilidade do Secovi paulista no propinoduto tucano na capital de todos os bandeirantes.

A entidade tenta tirar o seu (dela) da reta.

Alguém acredita nisso?

“Secovi afirma que empresas nunca denunciaram chantagem de fiscais”

[O Secovi, sindicato representante do setor imobiliário, afirmou hoje (12) que a entidade nunca foi alertada por empresas sobre os casos de supostas chantagens a que eram submetidas para obter a liberação de Habite-se na prefeitura de São Paulo. Pelo menos 300 empresas teriam pago propina a fiscais da administração municipal responsáveis pela verificação do recolhimento do ISS. A estimativa é que R$ 500 milhões possam ter sido desviados entre 2006 e 2012. O presidente do sindicato, Claudio Bernardes, também reiterou que a entidade não alertou a quadrilha que era alvo de uma investigação.

O Secovi aparece em uma conversa grampeada pelo Ministério Público no escritório em que a quadrilha se reunia, no centro de São Paulo. No áudio, o diretor do Departamento de Arrecadação e Cobrança da prefeitura na gestão Gilberto Kassab (PSD), Eduardo Barcelos, diz ao ex-subsecretário da Receita Municipal, Ronilson Bezerra, que o Secovi prometeu não dizer nada sobre as propinas se os ficais não falassem nada sobre as empresas.

Bernardes afirmou que a entidade não tem qualquer envolvimento com o vazamento e que a denúncia manchou a imagem do sindicato. “A indignação nossa é tamanha que nós vamos tomar todas as medidas cabíveis para identificar essa pessoa”, afirmou. “Ninguém dessa entidade, ninguém a mando da direção dessa entidade esteve lá”, afirmou. E deu indícios em outra direção: “Quando o MP nos chamou, já tinha conversado com cinco outras empresas”, insinua. O próprio Ministério Público já havia dito ter falado com empresas antes de procurar o Secovi. No entanto, o promotor do MP Roberto Bodini garantiu que não foi explicado a elas qual era a real motivação da conversa. A entidade pretende incitar uma investigação para apurar quem teria usado seu nome.

Bernardes afirma que foi informado sobre a investigação em 3 de setembro por Bodini durante uma reunião. Na ocasião, o MP pediu para que o sindicato explicasse para as empresas do setor do que tratava a investigação e que as levasse para prestar esclarecimentos sobre o suposto achaque. Na ocasião, Bernardes disse que a entidade “não tinha esse poder” e que a decisão caberia a cada uma delas. Desde 17 do mesmo mês as empresas estão cientes da investigação. Até a investigação ser divulgada, no início do mês, nenhuma empresa procurou o MP para denunciar o esquema.

Ainda que não tenham delatado o esquema, Bernardes acredita que as empresas eram obrigadas a pagar a propina para ter a liberação do empreendimento já concluído. Na visão dele, os fiscais apontavam irregularidades que não existiam no pagamento do Imposto Sobre Serviços (ISS) para obrigar as empresas a pagar mais do que deviam.

Momento propício

Bernardes afirmou que o Secovi apresentará em 15 dias um estudo à prefeitura de São Paulo para diminuir as brechas que levam à corrupção. Ele teria tido uma reunião ontem com o prefeito Fernando Haddad (PT) para tratar do assunto. Segundo o dirigente, em outras administrações também foram sugeridas mudanças, mas agora, graças ao ambiente criado pelo escândalo, as negociações poderão avançar. “Eu estou percebendo que esse pode ser o momento para isso acontecer e estou percebendo que esse é o ambiente. No passado, seja por quais razões fossem, esse momento não era favorável”, disse.]