domingo, 10 de novembro de 2013

A Folha de São Paulo é um jornaleco mesmo (?)



Uma blogueira ligada à moçada do PT chamou hoje em um texto, em seu blog, a Folha de São Paulo de “jornaleco”.

Será?

Acho um bocado de exagero esse clubismo partidário.

A Folha é um jornal importante (em meio a essa zorra que é o jornalismo brasileiro), mas nem tão plural e isento quanto quer fazer acreditar que seja.

Vou mais longe: há um quê de hipocrisia e de desonestidade no jornalismo que pratica.

Mas nada muito diferente dos outros grandões da mídia brasileira, como Veja, Estadão, O Globo et caterva.

Talvez só não tenha coragem de inventar personagens como fazem Veja (líder dos coxinhas) e Época (financiador dos black bloc), mas dá as suas distorcidinhas na informação.

Quem torce (e a Folha de São Paulo faz parte da torcida organizadas anti-PT) distorce.

Manchete canalha

A manchete da sexta-feira - "Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação" – foi de uma canalhice sem precedentes, ou quem sabe, teve precedente sim: a exposição de uma ficha falsa da presidente Dilma Rousseff, também em manchete.

Como todos nós gostamos de dizer, morássemos num País mais sério a Folha teria se ferrado. O mínimo que se esperaria de um jornal decente seria que a manchete do dia seguinte fosse um ERRAMOS.

Sem querer entrar em detalhes de como se comporta a imprensa nos EUA, vale lembrar que quase sempre os meios de comunicação de lá apoiam algum candidato – republicado ou democrata – mas suas matérias – quase sempre – são honestas e não canalhices como a FSP fez sexta-feira.

Sem surpresas

Sem surpresa alguma, na edição de sábado, a FSP registrou apenas um comentário negativo à sua manchetada, no Painel do Leitor, de Wilson Domingos da Costa (São Paulo, SP):

A manchete de ontem da Folha, "Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação", é maldosa. O correto seria dizer ex-prefeito, ou Kassab. O título, como está, imputa injustamente responsabilidade a Fernando Haddad. Lamentável, para dizer o mínimo. A Folha é realmente "um jornal a serviço do Brasil?".

Du - vi – d – o – dó que apenas um leitor do jornal tenha escrito indignado

No domingo, quem fez um registro dolorido para o jornal foi a sua ombudsman, a jornalista Suzana Singer:

Sujeito oculto

A manchete de sexta-feira passada da Folha --"Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação"-- induzia o leitor a erro. O prefeito de São Paulo é Fernando Haddad, mas a referência no grampo era a seu antecessor, Gilberto Kassab.

O título partiu da transcrição de um telefonema em que o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues dizia que deveriam ser convocados para depor "o secretário e o prefeito com quem trabalhei", porque "eles tinham ciência de tudo".

Ronilson foi subsecretário da Receita no governo Kassab e, na atual gestão, foi diretor na SPTrans de fevereiro até junho.

O fiscal não cita nominalmente o ex-prefeito, mas é fácil deduzir de quem ele está falando. Foi na gestão anterior que Ronilson ocupou o cargo de zelar pela arrecadação de impostos, o que lhe teria possibilitado atuar na "máfia do ISS" - esquema de cobrança de propina que pode ter causado um prejuízo de R$ 500 milhões aos cofres da cidade.

"A Folha optou por transcrever a declaração do fiscal de forma literal, já que ele não citou nenhum nome e exerceu funções de confiança tanto na gestão atual como na anterior", diz a Secretaria de Redação.

O excesso de zelo ficou só na manchete, já que a hipótese de que a frase do fiscal pudesse ser uma referência a Haddad não foi explorada na reportagem. O "outro lado" foi apenas com Kassab, que classificou as declarações de falsas, mas não cogitou que o fiscal estivesse falando de outra pessoa.

O jornal foi mais realista que o rei, numa cobertura bem delicada. O escândalo do desvio de impostos, que veio à tona no fim de outubro, tinha tudo para render apenas dividendos ao atual prefeito. Embora a investigação tenha começado com Kassab, foi Haddad que revelou a quadrilha. Bastaram, porém, três dias para que surgisse um grampo citando Antonio Donato, secretário de Governo.

Como a investigação continua, é provável que apareçam novas escutas. Elas não são prova de culpa e devem ser tratadas com todo o cuidado, mas sem distorções.

É preciso dizer mais alguma coisa?