terça-feira, 5 de novembro de 2013

O Brasil emburreceu de vez



Que já me desculpem os puristas da ética, mas não dá para contar este milagre sem dizer qual foi o santo que o praticou (até porque eu não sou corporativista, e, portanto, quando entendo que seja o caso não vejo problema algum em nominar a colegada que escorrega na maionese).

O jornalista Mauro Santayana escreveu um dos textos mais lamentáveis que tive o dissabor de ler, acusando o jogador Diego Costa de traidor de pátria e outras baboseiras do gênero.

Até inverteu a equação dizendo que a Espanha quis sacanear o Brasil, como represália por ter perdido a Copa da Confederação e pela lição de “patriotismo” que levou (sic) por aqui.

Vixe!

Nem meu pai fez em momento algum de sua vida um discurso tão estúpido como esse.

Pra falar a verdade, do alto dos meus 64 anos nunca tinha lido ou ouvido tamanha patacoada nacionalista.

Rei do camarote

Mas como besteira pouca a bobagem, eis que a semana começou com uma matéria da Veja São Paulo mostrando um tal de Alexander de Almeida, autointitulado o “rei do camarote”.

Fosse ele não muito feio como é, e não muito burro como mostra ser, há que se dizer que se trata de um babaca de carteirinha assinada.

Algumas coisas interessantes:

- mais de um milhão de pessoas curtiram a matéria nas redes sociais;
- milhares de pessoas o detonaram nas mesmas redes sociais.

Há que se lembrar que há alguns anos a Veja (nacional) já havia feito uma matéria de capa exaltando os “novos empreendedores” do Brasil, jovens destemidos que são os novos motores do capitalismo nacional.

Foi uma das raras matérias da revista que me chamou a atenção.

Mas chamou mais atenção os nomes dos novos empreendedores destemidos: nomes de rua, de praça, de famílias escravocratas, de banqueiros, de milionários do varejo etc.

Com pais como esses (e suas fortunas) até eu sou empreendedor.

Mas voltemos a Alexander: segundo seus amigos ele entrou em depressão após virar objeto do deboche nacional.

Esperava o que, camarada? Acredita mesmo que as pessoas tenham inveja dessa sua cara de pastel de feira?

Direita, volver!

Como nada que é estúpido se sustenta sem que tenha três pernas, eis que o escritor Antonio Prata mexeu ainda mais nesse lixaral com sua coluna na Folha de São Paulo, “Guinada à direita” (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2013/11/1366185-guinada-a-direita.shtml).

Era uma provocação. Um deboche. Uma ironia.

Mas não é que dezenas e dezenas (foram quase duzentos comentários) saudaram a guinada à direita do escritor?

Pode isso, Arnaldo?

Pode. No Brasil pode-se de tudo.

A coisa bombou nas redes sociais, e até gente como Roger Rocha, do Ultrage a Rigor (existe isso ainda?), entrou numa de louvar aquilo que não teve capacidade intelectual para entender.

Pode isso, Arnaldo?

Pode. No Brasil gente como o Roger Rocha e o Lobão podem falar qualquer asnice que tem gente que ainda gosta e aplaude.

Jesus. Acho que vou pedir asilo no Paraguai.