sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Osho é black bloc: hare hare, hare rama



A História e a Sociologia costumam se enrolar quando o assunto é Religião. Um dos erros mais comuns é ver a onda orientalista (das religiões orientais) impactando na sociedade ocidental, a partir dos anos 1950, como se isso fosse uma novidade.

Não foi.

Já se disse por aqui outras vezes que “a Sociedade Teosófica, fundada pela russa Helena Blavatsky, e o espiritismo kardecista, do francês Allan Kardec, remontam a meados do século 19. Ambas têm fortes influências do orientalismo”.

Há registros de impactos religiosos do Oriente na Europa no século 18 e até em séculos anteriores.

“My sweet lord”

Boa parte dessa mística novidadeira se deve ao beatle George Harrison, amigo e seguidor de Bhaktivedanta Swami Prabhupada, que teria fundado o movimento Hare Krishna, na cidade de Nova York, em 1966.

Teria... porque não fundou. O movimento Hare Krishna nasceu no interior da Índia no século 18.

O que Bhaktivedanta Swami Prabhupada fundou foi a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (Iskcon).

Krishna é o oitavo avatar de Vixnu (Vishnu), que compõe com Xiva (Shiva) e Brama (Brahma) a trindade hindu, sendo Vixnu responsável pela manutenção e estabilidade do universo.

Portanto, Krishna é um deus menor, que os pioneiros do século 18 e Bhaktivedanta Swami Prabhupada tentam resgatar e colocá-lo num patamar indevido.

Contraste

A louvação a Krishna contrasta com a filosofia do místico hindu Rajneesh Chandra Mohan Jain ou Bhagwan Shree Rajneesh ou Osho, que descarta deus e deuses, templos, rezas, oferendas, sacrifícios, louvações, dogmas e doutrinas.

Na sua extensa obra iconográfica sobre o peiote, o antropólogo Carlos Castaneda usa a figura do índio Dom Juan Matus para introduzir na contracultura norte-americana fragmentos do anarquismo de Osho, assim como de Dao De Jing, o pai filosófico do taoísmo.

Assim como Swami Prabhupada, Osho diz que a salvação é pessoal (e intransferível), mas dispensa todo o aparato bélico das religiões.

Osho é black bloc

Essa dispensa empurra Osho para os black blocs, ou melhor, empurra os black blocs para os braços de Osho.


“As qualidades do rebelde são multidimensionais. Primeiro, o rebelde não acredita em nada a não ser na própria experiência. A verdade de­le é sua única verdade; nenhum profeta, nenhum messias, nenhum salvador, nenhuma santa escritura, nenhuma tradição antiga pode lhe dar a verdade.”

“O rebelde não tem sistema de crença - crente ou ateu, hindu ou cristão. Ele é um investigador, um buscador.”

“O rebelde não é um egoísta. O egoísta também não quer pertencer a nenhuma igreja, a nenhuma ideologia, a nenhum sis­tema de crença, mas a razão para ele não querer pertencer é comple­tamente diferente da razão do rebelde. O egoísta não quer pertencer porque pensa demais em si mesmo. Ele é egocêntrico; só consegue fi­car sozinho.”

“Um rebelde respeita sua própria independência e também res­peita a independência de todas as outras pessoas. Ele respeita a sua própria divindade e respeita a divindade de todo o universo. Todo o universo é seu templo - é por isso que ele abandonou os pequenos templos feitos pelo homem.”

“Um rebelde vive simplesmente no momento, com percepção, sem nenhum desejo de dominar. Ele não tem nenhuma ânsia de poder. É um cientista da alma.”

“O rebelde penetra no seu mundo interior de olhos abertos, sem nenhuma ideia do que está procurando. Ele continua polindo sua in­teligência. Continua tornando seu silêncio mais profundo, sua medi­tação mais profunda, para que o que quer que esteja oculto dentro dele venha à superfície; mas ele não tem ideias preconcebidas sobre o que está procurando.”

Deu pra entender ou ainda é preciso desenhar?