sábado, 14 de dezembro de 2013

Tanger gado é a mais fácil das profissões



Ano passado ou em 2011, não lembro ao certo, a Folha de São Paulo publicou um antes-e-depois do cabelo da cantora barbadiana Rihana.

Uma internauta comentou, entusiasmada com o novo look da misturada cantora, afirmando: “como eu sempre digo. Não existe mulher feia. Existe mulher pobre”.

Noves fora o imenso preconceito social, a internauta não afirmou nada. Apenas repetiu o que ouviu em algum lugar: é gado fácil, pacífico e ordeiro.

Gente que passa a vida a repetir bobagens de ouve por aí, pois não tem a menor capacidade para pensar com a própria cabeça e chegar a conclusões próprias sobre a vida.

Espertalhices

Mídias como a FSP/UOL (e muitas outras) vivem dessa maracutaia, dessa escatologia, ao espalhar migalhas de ignorâncias desimportantes para seu povo-objeto.

É disso que esse povo gosta. É nessa lama que ele chafurda. É comentando bobagens com “opiniões” (sic) bobas e toscas que essa gente se sente importante e participativa.

É o máximo que a vida lhes reservou.

“Aprovação de Dilma: subiu por que, por que caiu?”

Na sua postagem de hoje, no blog Náufrago da Utopia, o jornalista Celso Lungaretti lembra “Masculino, Feminino” (1966), de Jean-Luc Godard.

Godard, diz Lungaretti, “coloca o protagonista (Jean-Pierre Léaud), entre os muitos empregos que assume e descarta, tentando ganhar a vida como pesquisador de mercado. Ele acaba concluindo que se trata de um jogo de cartas marcadas, nos quais entrevistador e entrevistado são cúmplices em apenas reiterar, dando-lhes aparência de respeitabilidade, os consensos que a engrenagem de comunicação impinge.”

Se o personagem de Léaud descobriu que sua vida estava vinculada a “um jogo de cartas marcas” o mesmo não se pode dizer do gado fácil, pacífico e ordeiro que vive de ser tangido pela mídia – pela propaganda e pela publicidade.

Lungaretti vai ao sobe-e-desce do prestígio da presidente Dilma Rousseff “que despencou quando a mídia lhe foi momentaneamente adversa durante os protestos dos indignados brasileiros, mas está voltando a ter índices aceitáveis sem que nada realmente se resolvesse ou melhorasse desde então”.

Despolitizada e sem ideologia, essa gente é presa fácil das manipulações e das maracutaias escatológicas do poder (mercantilizado).

Zanza de um lado para o outro tal qual uma biruta de aeroporto em dia de ventania.

É gado fácil, pacífico e ordeiro.

“Admirável Gado Novo”

Para fechar a conta temos, necessariamente, de ir a Zé Ramalho, e a seu admirável “Admirável Gado Novo”:

Vocês que fazem parte dessa massa, / Que passa nos projetos, do futuro / É duro tanto ter que caminhar / E dar muito mais, do que receber.”

Demoram-se na beira da estrada / E passam a contar o que sobrou.”

Contemplam essa vida, numa cela / Esperam nova possibilidade”.

Eh, ôô, vida de gado / Povo marcado e, / Povo feliz”.

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