sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

“O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” *




Crédito: pt.hallpic.com

O governo federal leiloa hoje a BR 040, que liga do Distrito Federal a Minas Gerais, passando por Goiás e chegando a Juiz de Fora.

Trata-se de um trecho rodoviário enorme de 900 km, e um dos mais utilizados do País, e que promete ser - se não o primeiro- pelo menos o segundo em transporte de passageiros e de cargas no País nos próximos anos.

O “leilão” volta a acirrar as críticas e os debates sobre o comunismo cor-de-rosa do PT e a oportunidade de o Estado administrar e gerir estradas, aeroportos, poços de petróleo etc. e tal.

É preciso retomar ao grande embate de meados do século 19 entre Mikhail Bakunin e Karl Marx para entender um pouco o que está por trás das rusgas que cercam as “privatizações“ (concessões, na verdade).

Marx – pode-se dizer assim – foi anarquista em sua juventude e em seu ocaso.

Nada disso, no entanto, convenceu Bakunin que acusa os comunistas de ensejar uma hidra de mil cabeças – o Estado – tão nefasta aos interesses da população quanto o Capitalismo monopolista.

Marx via uma transição natural do Estado pós-Capitalista para o não-Estado Anarquista, onde as pessoas seriam capazes de gerir suas próprias vidas em consórcios.

Bakunin temia que um Estado comunista fosse apenas um sucedâneo do Estado Capitalista Monopolista para ser sucedido por este, e assim sucessivamente.

Nesse vai-e-vem os interesses das populações ficariam sempre à margem.

À margem de se discutir o muito que há da ortodoxia judaica e pré-darwinista nos textos de Marx e do Caos, que segundo Hesíodo é uma força antiga e obscura que manifesta a vida por meio da cisão dos elementos (na visão de Bakunin), há que se entender que é nesse imbróglio que o governo petista se meteu.

Se meteu repetindo, ipsis litteris, o tucanato, a quem criticava pelas mesmas razões com as quais, hoje, está concorde.

Não é preciso grande esforço intelectual para tentar ver quem é dragão, quem é santo guerreiro, até porque são eles mutatis mutandis – ora um, ora outro.

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* “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”
Segundo o próprio Glauber (Rocha), o filme foi concebido numa visão metafórica, toda ideia do filme surgiu espontaneamente em sua mente. Inspirado no jeito nordestino de narrar um “causo” cantando, “agora eu vou contar para vocês que é de verdade e de imaginação, imaginação verdadeira”.
O personagem Antônio das Mortes é contratado para matar um bando de jagunços numa vila. Ao chegar encontra um coronel soberbo, um professor frustrado, um delegado que atua com interesses políticos, uma mulher solitária e um padre em crise religiosa. O cangaço, o sertão, coronéis do Nordeste, literatura de cordel, Lampião, e tantas outras ideias foram postas no argumento do filme que narra massacres e mortes.

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