quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O que está rachando o governo de Dilma Rousseff (?)



Para sermos fiéis à informação (sem maiores aprofundamentos) e corretos na análise, é preciso dizer, já de início, que a coisa não se iniciou no governo Dilma Rousseff, mas na primeira gestão de Lula da Silva.

Com Dilma o paradoxo apenas agudizou-se.

Se não vejamos.

Há um sem-número de funcionários de terceiro escalão, gente de segundo e alguns de primeiro que primam pelo discurso privatista, capitalista, neoliberal.

A rigor nada de mais, posto estarmos num País capitalista.

Capitalista, mas governado por um partido que se quer socialista.

Nunca vi o PT dessa forma, mas ele diz que é.

Mas não é não. É um partido trabalhista, portanto pequeno-burguês (para fazer uma homenagem aos meus amigos marxistas, que, aliás, não são poucos).

Despolitização

Gente mais à esquerda no Partido (ou o que sobrou da esquerda no PT) costuma acusar (a internet está cheia de artigos por estes dias) a dupla Lula-Dilma de “despolitizar” a política.

Concordo não.

Desde a derrota para Collor de Mello que o Partido tem “des-ideologizado” a política, para conquistar parte da Classe Média e a quase totalidade dos pobres e remediados, e vencer as eleições (presidenciais).

Essa é uma crítica que faço há um bocado de tempo.

Eu que não sou filiado e nem militante do Partido, mas um reles jornalista. Apenas um assuntador ou um observador (um pouco privilegiado).

Onde mora o perigo

A resmungação que por hora se vê, por conta dos ataques infames desfechados contra os Josés Dirceu e Genoíno na internet, aponta os dedos acusadores para Lula e Dilma.

Trata-se de uma mira que mira o alvo, mas com certa imprecisão.

Não se trata exatamente de uma novidade, bastando lembrar o que sofreu Lula da Silva quando internado no Sírio-Libanês, para tratar do seu câncer, ou o Chico Buarque de Holanda, que surpreso com os ataques que recebeu na internet cunhou a expressão “odiadores profissionais”.

Isso tudo tem pouco (ou nada) a ver com despolitização, mas com ausência de uma ideologia definida.

Em parte (embora sem uma mira precisa) a esquerda do Partido tem razão.

Mas a culpa não cabe apenas a Lula e a Dilma, mas ao Partido como um todo.

Quem aceitou cordeiramente essa guinada ao centro foram os filiados e os militantes do Partido.

Agora que o bicho começa a pegar culpa-se alguém?

Isso é tipicamente brasileiro.

É preciso olhar para dentro

Não creio que essa meia dúzia de gatos pingados que ofende e agride pela Internet consiga mais do que isso.

A questão é o que vem por aí, com essa nova leva de brasileiros que comem mais e vão mais à escola.

Esse tipo de gente é presa fácil para o discurso moralista, anticorrupção, anti-aborto, anti-gays... e essas asnices todas.

Sem ideologia e despolitizada, essa gente é massa de manobra nos ambientes de trabalho, na escola, nos lugares de lazer, nas igrejas.

E o problema, como se apontou acima, está dentro do próprio governo, e em seu exército de privatistas, de neoliberais, de gente que pensa como se ainda presenciasse o queda do Muro de Berlim - isso em plena segunda década do terceiro milênio.

O neoliberalismo já morreu. Morreu precocemente. E já vai tarde.

Se o PT quer mesmo fazer valer a previsão de José Dirceu – “50 anos de poder” – é bom cuidar dessa gente e dar-lhe um sonoro pé na bunda.

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