quarta-feira, 27 de novembro de 2013

“O mal é bom e o bem cruel” (*)


Crédito da ilustração: www.meupapeldeparedegratis.net 

Países em que as pessoas sequer olham para sua cara “em sinal de respeito” e de não intrusão na vida alheia costumam ter grupos neonazistas ativos e violentos.

Quem acha que o mundo deveria ser todo arrumadinho, sem guerras e violências, sem conflitos e discussões nasceu no lugar errado.

Bons exemplos de que essa vidinha bucólica, pacata e meio bobona não existe e nunca existiu, estão na raiz de todas as religiões: é luta, traições, mortes violentas para todo que é lado.

Não escapa nenhuma: das “grandes religiões” às ditas religiões primitivas.

A cobra, a sedução de Eva e Caim, por exemplo, não estão em Gênesis fazendo figuração.

São atores principais da saga humana.

Podemos nos tornar civilizadinhos, não discutir nem brigar com mais ninguém?

Podemos. Basta criar um regime totalitário que nos ministre doses diárias de soma (a droga do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley).

Estamos quase chegando lá.

Idiocracy

Quem quiser “aprofundar” um pouco mais a reflexão sobre a violência e a evolução humana nem precisa ler Huxley ou os textos religiosos sobre a criação do mundo.

Basta assistir Idiocracy (2006), de Mike Judge, com Luke Wilson e (a ótima) Maya Rudolph.

O filme é classificado como de “humor negro” (negro? Que preconceito!), mas o que mostra mesmo é que o mundo está se afundando numa pasmaceira “antes nunca vista” - para usar um mote do governo de Lula - , “desconcentrado numa distopia onde marketing, consumismo e anti-intelectualismo cultural funcionam desenfreadas e que a pressão disgênica resultou numa sociedade humana uniformemente estúpida” (WP).

Está se vendo nesse mundo quinhentos anos à frente do seu tempo?

Debaixo da saia

E nem tente se esconder debaixo das saias da ciência atual. Ela nos mostra que nascemos de uma grande explosão (Big Bang). E alguns cientistas enxergam o dedo de Deus apertando o botão.

E nem vá procurar consolo nos cientistas-revisionistas do Big Bang. Eles dizem que não foi uma explosão, mas que foram várias: num eterno explode, expande, envelhece, retrocede, volta ao ponto original para explodir de novo.

Os brâmanes já haviam descoberto isso um bocado de tempo antes dos cientistas.

É o “eterno retorno” – essa espécie de bombril de 1001 utilidades.

FlaXFlu

O clima social e político brasileiro atual é de confronto exacerbado entre esquerdistas e direitistas.

Isso é bom ou ruim?

É ótimo. É no confronto, nas escaramuças que se separa o joio do trigo (para usar mais uma imagem bíblica).

Mesmo em meio às trocas de acusações, mentiras, ameaças, recuos e avanços... vamo que vamo.

Ninguém é santo nessa história. A porrada canta da esquerda para a direita (e vice-versa) e de cima para baixo (e vice versa).

Podemos amenizar isso, e retirar do confronto os exageros e a violência?

É provável que consigamos isso num futuro que está mais distante que o da Idiocracy.

Mas só se chega lá na base do confronto e das lutas.

Quem não quiser participar disso que vá tomar a sua dose diária de soma.

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