sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Dos peitos da Sabrina Sato ao assassinato de um defensor de direitos humanos




Crédito da foto: global.org.br

Duas informações relevantes que estão jogadas ao relento, enquanto a mídia perde o seu (e o nosso) tempo com os festejos pela prisão (que ainda não aconteceu e sabe-se lá quando e de que forma acontecerá) dos réus do “Mensalão”, os intermediáveis congestionamentos paulistas de véspera do feriadão e os peitos da Sabrina Sato (aliás, acrescento que aqui em casa tenho limões mais cheirosos, mais duros e mais bonitos que os peitos da starlet de sotaque caipira).

Uma delas diz respeito ao veto presidencial à criação de novos municípios, e a outra (mais relevante ainda) ao julgamento dos assassinos de um advogado e militante de direitos humanos na Paraíba.

Veto aos municípios

A presidente Dilma Rousseff vetou ontem lei que permite criação de até 269 municípios. O argumento usado pela Presidência diz que “Esse crescimento de despesas não será acompanhado por receitas equivalentes".

Está corretíssima a presidente. Na geopolítica brasileira há três fatores a serem considerados: dois "de mais" e um "de menos".

“De mais”: há municípios em excesso por todo o País e políticos incompetentes/desonestos em grande profusão.

“De menos”: recursos/renda/arrecadação.

Exemplificando

Em 1984 fui morar no Envira, município do interior amazonense, na calha do rio Juruá.

Envira havia entrado em decadência com a queda vertiginosa da extração de látex (borracha).

O município empregava 100 pessoas; outras 110 eram trabalhadores temporários. O Estado do Amazonas e a Federação, juntos, tinham três funcionários, e o comércio local gerava um emprego.

Esses 214 trabalhadores tinham, juntos, uma renda mensal (no equivalente de hoje) de 100 mil reais.

Como o município mais nada produzia, a não ser “o que de comer”, retirado de pequenos roçados, dos rios e da floresta, o jeito era comprar sapatos, roupas, utensílios domésticos, pilhas e outras coisitas pelo catálogo.

O resultado: o município gastava mensalmente 110 mil reais.

O que cobria isso tudo? O FPM – Fundo de Participação dos Municípios, ou seja, dinheiro público, do orçamento da Federação.

A maioria absoluta dos municípios brasileiros sobrevive do FPM.

O julgamento

Na próxima segunda-feira (18 de novembro) a Justiça Federal da Paraíba começa a julgar os assassinos do advogado e ativista de direitos humanos, Manoel Mattos.

Não, não adianta procurar essa informação na mídia que ela não estará lá. Estarão os peitos da Sabrina Sato.

Resumindo a história: Manoel Mattos foi assassinado em janeiro de 2009, em Pitimbu, litoral sul da Paraíba, por conta de sua atuação contra os grupos de extermínio e seus depoimentos à Comissão de Inquérito da Câmara dos Deputados (2005).

Frente às ameaças que Mattos e outros defensores recebiam dos grupos de extermínio, o Estado da Paraíba nada fez.

Assassinado o defensor, o “Caso Manoel Mattos” nunca foi investigado pela polícia e pela Justiça paraibanas.

Após muita insistência da Dignitatis – Assessoria Técnica Popular e da Justiça Global finalmente o caso foi parar na Justiça Federal.

É o primeiro caso de federalização de um crime desse porte na história do Brasil.

É um início. Às vezes até parece que o Brasil se civilizou.

Mas apenas parece, pois a julgar pelo (não) noticiário da imprensa, continuamos vivendo na época das caravelas.

OUTRAS LEITURAS

“Eis a fera, que a horrenda calda enresta,
Que arneses, montes, muros atravessa
E com seu bafo impuro o mundo empesta!”
Canto XVII – Inferno - A Divina Comedia – Dante Alighieri

Uma imagem vale…

Com que roupa?

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