segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Direitos Humanos são direitos burgueses (?)


Crédito da foto: www.carmoassociados.com.br 

No momento em que boa parte da sociedade brasileira repete, bovinamente, que “direitos humanos é coisa de bandido” é sempre bom voltar a Karl Marx.

Afinal foi ele quem, 100 anos antes da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU), tocou o dedo na ferida.

Nestes tempos em que a classe média e a elite (financeira) andam atordoadas “com tantos direitos assim” a discussão proposta por Marx volta com tudo.

Há um bom artigo de Augusto César Buonicore, historiador e mestre em Ciência Política pela Unicamp, secretário-geral da Fundação Maurício Grabois e membro dos conselhos editoriais das revistas Princípios e Crítica Marxista, que pode ser acessado neste link: “Marx - Desvendando os direitos humanos... da burguesia / A construção do Homem no jovem Marx”.

Eis uma grande e dura pedra nos sapatos de nós, ativistas e defensores de Direitos Humanos.

Afinal estamos defendendo o que?

Estamos defendendo quem de quem e do que?

Declaração

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (10/12/1948) acabou por dar razão a Marx, com seu estilão meia queijo, meia calabresa.

Em plena Guerra Fria (que pelo jeito não terminou ainda) a ONU viu por bem dividir salomonicamente o problema: meia direitos individuais, meia direitos coletivos.

Quer coisa mais burguesa que isso?

Voltemos a Marx.

Para o velho barbudo, os direitos humanos nada mais são que os direitos dos burgueses, “do homem egoísta, do homem separado do Homem e da comunidade” (ibid).

Implacável, “Marx conclui que o conceito burguês de liberdade visava em última instância estabelecer os limites da própria liberdade” (ibid).

Nós já estamos atordoados de tanto ouvir uma das “verdades” mais nefastas da burguesia: ”o seu direito termina onde começa o dos outros”.

Ufa!

Direito?

Isso, objetivamente, quer dizer o seguinte: você pode até protestar, mas não pode sair em passeata por aí , pois dessa forma você estará atentando contra o direito dos outros (quer dizer, contra a propriedade pública e/ou privada).

Você já ouviu isso na TV, não ouviu não?

O italiano Norberto Bobbio, cientista político, filósofo e escritor também não leva muito em conta esse lero-lero da ONU.

Para ele, “somente somos livres no que tange aos pensamentos, ou seja, podemos pensar livremente, mas expressar nossos pensamentos através de atos, atitudes, já não é assim tão possível. Não possuímos a liberdade plena no que tange a atitudes, ações e manifestações” (WP).

Pra trocar bem em miúdos: nos é garantido trabalhar, pagar os impostos, constituir família , criar nossos filhos e resmungar pelos cantos.

Afinal é isso que estamos defendendo?

Estamos defendendo quem de quem e do que? De nós mesmos?

Quer coisa mais burguesa que isso?

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