quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Dilma vai... mas preocupada



A pesquisa CNT/MDA, divulgada esta manhã, mostra o que os outros institutos já haviam mostrado: que a presidente Dilma se reelege ano que vem, em primeiro turno, seja qual for o cenário, ou seja, sejam quais forem os seus adversários.

Vale ressaltar que essa pesquisa foi a primeira a mostrar, logo após as manifestações de junho, primeiro, que haveria segundo turno ano que vem, e, depois, que a presidente corria o risco de sequer se reeleger.

Como o mundo gira, Dilma Rousseff se recuperou (não aos níveis anteriores de junho) e agora lidera com certa folga.

Isso muito em conta das trapalhadas oposicionistas. Este afalaire registrou isso em 31 de outubro: A oposição precisa de Garrincha para vencer Dilma Rousseff ano que vem.

Ponderando

Mas é preciso relativizar essa numerologia toda e entender, um pouco, o que está acontecendo no País.

Dilma Roussef tem “apenas” 43,5% da intenção de votos e seu governo é aprovado por “apenas” 38,1% dos entrevistados.

São índices inferiores (bem inferiores) a 50%, e, portanto, sujeitos a chuvas e trovoadas.

Se a oposição conseguir parar de se atrapalhar tanto assim pode navegar nesses quase 60% de contras ou indecisos.

Esse afalaire – apesar dos atrapalhos da oposição – continua achando que a vida de Dilma Rousseff ano que vem não será tão simples assim.

Preocupação

Apesar dos índices positivos, o Partido dos Trabalhadores (já se disse por aqui isso também) não está tranquilo.

O número de indecisos (juntando-se a ele os que dizem que não irão votar ou que votarão nulo ou branco) está alto demais, e periga, na eleição mesmo, bater na casa dos 30%.

Tem seu lado positivo aí: reduz o número de eleitores que podem ser cooptados pela oposição, especialmente no segundo turno.

Mas tem seu lado negativo: com um pouco de competência, a oposição pode conquistar a maioria daqueles que sobrarem para votar e levar, no mínimo, o pleito para o segundo turno.

E é aí que a porca torce o rabo.

Há uma insatisfação latente no ar. Crescem, dia a dia, as manifestações, que prometem se avolumar durante a Copa do Mundo, e o governo, especialmente o federal, não está sabendo como lidar com o fenômeno.

O governo cometeu dois erros nos últimos dias:

- a presidente Dilma resolveu criminalizar os black bloc;
- o ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, fez uma reunião desastrosa com os secretários de segurança de Rio e São Paulo.

A movimentação anarquista pode até ter assustado parte da população – os chamados coxinhas – mas continua sendo a linha de frente do combate aos desmandos dos poderosos, e isso acaba cativando a população e colocando o governo contra a parede.

A reunião do ministro com os secretários ficou mais parecendo uma iniciativa do governo nazista para ver como exterminar judeus do que realmente para buscar uma saída civilizada para diminuir a violência das ruas.

Entornando o caldo

Os meios de comunicação têm batido na tecla de que o Brasil viverá, ano que vem, um caos, por conta da infraestrutura – especialmente a aeroportuária e a hoteleira.

Há um bocado de exagero nesse pessimismo todo, mas convém lembrar que o Brasil não é os EUA, a Europa (Ocidental) ou o Japão.

Isso quer dizer que problemas há – pequenos ou grandes, mas há.

O caldo pode entornar ainda mais caso o selecionado brasileiro não vença a Copa do Mundo.

Aí do bicho pega. Dificilmente a presidente vencerá uma enorme conjunção de fatores negativos = gastança com os estádios + infraestrutura precária ou deficiente + fracasso do selecionado + corrupção + mais insatisfação popular.

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