segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A corrupção corre solta e a culpa é nossa




Crédito da foto: atualidadesdodireito.com.br

De acordo com a Controladoria Geral do Município “todo dia uma denúncia de corrupção é feita à Prefeitura de São Paulo” – veja aqui http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/11/1369528-prefeitura-de-sp-recebe-uma-denuncia-de-corrupcao-por-dia.shtml

Falando com o bispo Dom Tomás Balduino, há alguns anos, ele me disse que pelo menos 6 violações dos direitos humanos acontecem diariamente no Brasil.

Disse-lhe que estava sendo modesto.

Estudo do Ipea indica que 15 mulheres são mortas por dia no País.

Isso só para falar das mulheres e só para falar de assassinatos.

Some-se aí outras agressões às mulheres (estupros, espancamentos, xingamentos etc. e tal) e as violações a outros segmentos sociais – índios, negros, pobres, prostitutas, moradores de rua, crianças, idosos etc. e tal - para se perceber o tamanho do problema.

Tanto os dados da Controladoria paulistana quanto o estudo do Ipea mostram apenas a ponta o iceberg (aqueles 10%      que ficam acima do nível da água).

Subornão geral

Se apenas 1 pessoa denuncia casos de extorsão por fiscais da prefeitura paulistana agora some aí o número de pessoas que aceitam subornar o fiscal ou temem denunciá-lo por medo de represálias.

Passa fácil, fácil dos 100 casos dia.

E é aí que o problema se agrava, ou para usar uma imagem literária, toma proporções dantescas (uma referência à "Divina Comédia" de Dante Alighieri).

Corrupção dia a dia

No meu primeiro emprego como jornalista tive um “colega” que além de jornalista era fiscal da prefeitura, exatamente de São Paulo.

Toda tarde éramos obrigados a ouvir as suas lorotas de corrupto, suas táticas para achacar comerciantes e outras malandragens do gênero.

Às nossas ponderações de que era um corrupto inclassificável ele apenas respondia com um sorriso cafajeste.

Nos enchemos tanto de seu pavoneio de corrupto e ele se encheu tanto de nós o hostilizarmos que parou... parou pelo menos de contar vantagem na redação.

As perguntas que fizemos à época (e que valem até hoje) é por que não denunciá-lo (?) e denunciá-lo a quem (?).

Vivíamos na ditadura; prefeito e governado de São Paulo eram indicados por Brasília; a ditadura foi, muito provavelmente, o momento de “maior” corrupção da história nacional.

Isso nos serviu como um bálsamo à nossa consciência.

Jeitinho

Quantos de nós não deu uma “carteirada no guarda”, não arrumou umas notas fiscais para abater no imposto de renda, não falsificou documentos para conseguir bolsas de estudo para os filhos, não molhou a mão de algum fiscal municipal, não aceitou que o mecânico colocasse peças roubadas em nossos carros, não comprou, “baratinho”, produtos contrabandeados ou pirateados?

Estamos reclamando de quê?

Não há corruptos sem corruptores.

E nós fazemos parte disso.

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