segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Somos nada mais que um amontoado de números (?)



O capitalista vibra com as tais leis do mercado.

Comunista que se preze as odeia.

O primeiro mente, o segundo é ignorante.

A arte de mercadejar (assim garantem alguns estudiosos) surgiu com os antigos assírios, lá por volta do século 10 antes de Cristo.

A civilização assíria floresceu onde hoje é o norte do Iraque.

Portanto um bocadinho de tempo antes do surgimento do Capitalismo, que só ocorreu no século 16 depois de Cristo, coincidindo com a época em que a portuguesada e a espanholada veio com suas naus cá pra estas bandas (e por outras plagas também).

Nada disso impede que capitalistas e comunistas se envolvam numa batalha infindável que tem como principal arma a matemática, ou melhor definindo, a numerologia.

Nada é mais facilmente manipulável que os números.

Podemos usá-los ao nosso bel prazer para provarmos que estamos sempre certos e os outros, errados.

Estamos felizes

Lê-se nos jornais de hoje que o “mercado” prevê inflação para 2014 de 5,92%, e para este ano (2013), 5,83%.

Como eles sabem?

Não sabem. Chutam.

Estaremos felizes e contentes com essa diferença de 0,09%?

Deveríamos ficar furiosos, não pelos 0,09% a mais ou a menos, mas pela inflação.

Afinal, quem é que paga essa conta?

Nós.

Mas seguimos, pois os senhores do mercado disseram que assim é, então que assim seja.

À morte

Se alguém ainda acha que essa pajelança toda sobre os números só se dá na Economia é bom saber que a Organização das Nações Unidas (ONU) mede o número de mortes violentas em todo o mundo, e aceita como aceitável (calma... a redundância é proposital) que, em um ano, se mate 10 pessoas para cada grupo de 100 mil.

A cidade de São Paulo, por exemplo, apesar da paranoia que se instalou por lá, está dentro desse índice “aceitável”.

O Rio de Janeiro, não. Por lá de mata, por ano, 23 pessoas por 100 mil.

A situação nas Alagoas e na Baixa Santista (SP) é pior ainda – por volta de 30/100 mil.

Contando cadáveres

Um dos livros mais insólitos que vi existir (mas não li, pois não gosto de contabilidade) foi “O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão”, do francês Stéphane Courtois, que faz um inventário da repressão política nos regimes marxistas-leninistas — incluindo-se aí as execuções extrajudiciais, as deportações e as crises de fome.

A tradução brasileira é da editora Bertrand Brasil.

O troco veio rápido com “O Livro Negro do Capitalismo”, do também francês Gilles Perrault.

Ah, esses franceses.

Perrault reúne artigos de escritores e pesquisadores diversos para mostrar uma enorme lista de vítimas das duas guerras mundiais, das revoltas anticolonialistas; sem não antes passar pela escravidão, pela fome e pela desnutrição.

No Brasil, o livro foi traduzido pela Editora Record.

Courtois e Perrault o que fazem é uma contabilidade de cadáveres, cada um com suas intenções e interesses.

Isso serve para alguma coisa?

Óbvio que serve; serve para mostrar que não existem “inocentes do Leblon” na parada; como não existem mocinhos e bandidos.

Como uma banda da maçã não difere em nada da outra banda da maçã.

Mas serve especialmente para mostrar que enquanto dormimos, trabalhamos, assistimos TV e não conseguimos entender esses números todos, o mundo segue regido por uma “camarilha“ (para usar uma expressão cara ao comunismo chinês) que está pouco se importando com nós outros, esta enorme plateia proletária e ignara, composta basicamente por cegos, surdos e mudos.

Não está na hora, pelo menos, de acordar?

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