sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Pato e Reinaldo Azevedo explicam o Brasil




Crédito da foto: br.omg.yahoo.com 

Dois assuntos que tomam conta – cada um na sua forma e meio – do bate-boca nacional:
- a cavadinha do Pato anteontem em Porto Alegre;
- a “colaboração” - a partir de hoje - do Reinaldo Azevedo à Folha de São Paulo.
O Pato
Os nossos bravos jornalistas esportivos já têm as suas explicações para o “desinteresse” do Pato para com a bola de futebol:
- irresponsável;
- vive noutro mundo;
- precisa fazer terapia.
Quem é o Pato
Alexandre Rodrigues da Silva, o Pato, é de Pato Branco, no interior do Paraná, lá pelas bandas de Francisco Beltrão.
Nasceu por lá também Rogério Ceni, o goleiro do São Paulo Futebol Clube.
De uma cidadezinha provinciana, Pato se mandou para Porto Alegre, para arriscar uma carreira de jogador no Grêmio Porto-alegrense, time para o qual torcia.
Recusado, mandou-se para o Internacional, fez um fuzuê contra o Palmeiras no Parque Antarctica, ficou conhecido e acabou vendido ao Milan da Itália.
De uma das cidades mais provincianas do Brasil (Porto Alegre – já morei por lá), o Pato foi bater em Milão, uma espécie de capital da moda, pelo menos na Europa.
Nos braços da patroa
Pato caiu nos braços de Barbara Berlusconi, que nada menos é que filha de Silvio Berlusconi, dono do time, milionário das comunicações italianas e (foi) primeiro ministro da Itália em três ocasiões.
Dá para imaginar o que aconteceu com a cabecinha bi-provinciana do Pato circulando entre poderosos que mandam soldados para a guerra, fazem estripulias sexuais com prostitutas (caras) muçulmanas, corrompem juízes e mandam matar e prender gente.
Não conheço o Pato, nunca conversei com ele, mas dá para saber que o atleta hoje corintiano jamais imaginava existir gente com esse dinheiro e poder.
Só no cinema mesmo, mas cinema é uma coisa que está lá na tela, enquanto estamos com os nossos traseiros depositados numa poltrona.
Tio Rei
A única coisa que chama minha atenção no blogueiro de Veja e, hoje, colunista da Folha de São Paulo é o epiteto posto em seu blog:
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles.
A poesia é do britânico Dylan Thomas, e Azevedo está para Thomas assim como Pato está para Berlusconi.
Hipocrisia e tucanismo
Quando morei em Itabuna (Bahia) tive um amigo de nome Mateus (nunca soube o nome de família).
Um baita de um intelectual e professor (ótimo) de literatura.
Migrado para o Rio, ainda criança, estudou, formou-se em Letras, entrou para o Partido Comunista e foi presidente do sindicato dos professores da “Cidade Maravilhosa”.
Por conta dessas duas últimas atividades tomou dois AI5 nas costas.
Mateus era leitor diário da Folha de São Paulo, jornal que identificava como “hipocritamente democrático”.
A Folha é uma espécie de antecessora do tucanismo do PSDB.
A ida de Reinaldo Azevedo para lá é só mais um capítulo dessa (longa) história.
Reação furibunda
A Folha é um bom jornal. Já fui seu assinante e assino atualmente o UOL, o que dá no mesmo.
Abrir espaços para “contribuições” de gente como Reinaldo Azevedo ou do esquerdista Wladimir Saflate está dentro do contexto pós-modernista do jornal dos Frias.
O que está fora do contexto é a reação furibunda de intelectuais, blogueiros e jornalistas de esquerda.
Uma jornalista disse hoje em seu blog que vai suspender a assinatura do jornal paulista.
OK. O dinheiro é dela, e ela faz o que quiser com ele, que ninguém tem nada com isso.
Mas usar a ida de Azevedo para o jornal como justificativa... aí já é um pouco de estupidez.
Cara insosso
Embora escreva bem (bem melhor que o seu antecessor na Veja, Diogo Mainardi), Reinaldo Azevedo é intelectualmente desonesto, mas o suficiente para manter um ”gadinho” - que não deve passar de 100 (eu costumo dizer que são só 40) - que adora as baboseiras que (quase sempre) escreve.
Um jornalista que anda às turras com Azevedo já demonstrou em mais de um texto que a “audiência” do blogueiro de Veja não é tão “alta” assim como ele diz ser.
De acordo com o seu crítico, a contabilidade de Azevedo inclui aquelas tantas vezes que um mesmo leitor entra no blog para ler a mesma matéria.
Tem razão o crítico.
De mais (e eu já fui vítima disso em mais de uma oportunidade), Azevedo não permite comentários em seu blog que o contrariem.
No sítio UOL não vai ter disso não, Azevedo. Por lá, você vai levar muita porrada e terá de engoli-las todas elas, e ainda sorrir:  “o freguês tem sempre razão”.

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