segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O rock é só ruim ou muito ruim?


Crédito da foto: www.beardedmagazine.com

Assisti ontem à noite parte de um documentário sobre William Burroughs (William Seward Burroughs II) e não sei bem por qual razão o documentarista enfiou no meio o também inquieto Iggy Pop e o movimento punk.

William Burroughs, que faleceu em 1997, foi escritor, pintor e crítico norte-americano.

Tem uma obra inquietante, e seu livro mais conhecido é Naked Lunch / Almoço Nu.

Burroughs aparece (no meio de tantos outros) na capa do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (The Beatles), gravou coisas com John Lennon e Yoko Ono, e tem parte dos seus textos em trabalhos de Tom Waits, Frank Zappa, John Cage, Philip Glass, Laurie Anderson, The Doors e Kurt Cobain.

Iggy Pop disse, no documentário, ter se inspirado em Burroughs para compor pelo menos uma de suas músicas.

Quem também comparece (citado) no documentário sobre Burroughs é o cantor, guitarrista e compositor de Nova York, Lou Reed, tido por muitos como “o pai da música alternativa e poeta das esquinas” da cidade.

Burroughs faz parte da beat generation / geração beat, mas como Charles Bukowski procurou se desvencilhar do grupo (que a rigor não era grupo algum) para seguir trilhos próprios, embora tenha escrito como Jack Kerouac.

Kerouac é autor de On the Road, a tal da bíblia do movimento hippie. Truman Capote detestou o livro e a escrita verborrágica de Kerouac: “isso não é escrever, é datilografar”, fulminou.

“Uma merda!”

O melhor do documentário sobre Burroughs está numa outra fala de Iggy Pop, para quem 90% do que produziram compositores, cantores e grupos de rock era muito ruim, uma porcaria, uma merda.

A fala de Iggy Pop me remeteu às inquietações de uma amiga, que morou um ano nos EUA e seis no Canadá, onde estudou Sociologia.

Um dia ela me perguntou por que eu (e muita gente) gostava tanto de rock.

Para ela, as letras do rock (além de uma música chinfrim, o que é pura verdade) são ruins, mal feitas, idiotas e estúpidas.

Nesse pacote ela colocava também o blues.

A única ressalva que faz é para a obra de Lou Reed.

Quem também vai na esteira da minha amiga e de Iggy Pop é David Gilmour (Pink Floyd). Num outro documentário sobre a sua vida, Gilmour diz que a maioria das músicas (rock/ blues) é ruim, “tirando uma ou outra”, mas que ele não perdeu e não perde tempo indo a concertos para não passar raiva e ter engulhos.

Defesa vã

Tentei argumentar com minha amiga que gente como ela (ela não completou ainda 40 anos) não entende o que há de bom-humor e sarcasmo nas letras, especialmente do rock.

Ela me olhou como seu eu fosse um idiota.

Minha defesa do rock, a rigor, é insustentável. Uma ou outra letrinha descamba para o “sarro”, para a verve bem humorada, mas a maioria é mesmo um rame-rame estúpido, um chororô miserável; de um desespero inútil e violento.

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