quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Marina Silva: perigosa, radical, subversiva



A imagem e a candidatura da política acreana Marina Silva estão sendo descontruídas à esquerda e à direita.

Também por aquela imensa maioria que circula entre as duas extremidades; gente suficientemente covarde para dar às suas ideologias uma coloração difusa, esmaecida.

A esquerda sabe por que ataca e teme Marina Silva.

A acreana é o único perigo real que o PT (pelo mesmo no cenário atual) tem de encarar.

Se alguém tem forças para vencer a candidata petista (será mesmo Dilma Rousseff?) num eventual segundo turno, ano que vem, este é Marina Silva.

A política acreana sai de uma base (conquistada na eleição passada) de 20% de votos, e hoje, nas pesquisas de intenção de votos, transita de 16 a 22%; o que na prática quer dizer cerca de 30% dos votos válidos na eleição de 2014.

Num eventual segundo turno, é provável que arrastre se não a totalidade, mas a maioria dos votos tucanos (quer dizer, anti-PT), e com isso chegue aos 50% + 1 na segunda rodada de votos, em novembro.

Barrar a candidatura marinista, portanto, é tarefa urgente, embora Lula da Silva tenha dito ontem que a inviabilização da Rede Sustentabilidade deve abrir uma luta entre partidos pela política do Acre.

Críticas à direta?

De seu lado, a direita e os esmaecidos tentam desgastar Marina Silva com apelos anti-religiosos (ela é evangélica e está a eles ligada), apelos históricos (ela foi petista e é ligada ao grupo dos irmãos Viana no Acre), apelos morais (nem todas as assinaturas para a formação da Rede são legais, e se não são legais, são ilegais, o que provaria que a acreana repete os mesmos vícios dos políticos “tradicionais”).

Ligações acreanas-petistas

A ligação de Marina com os irmãos Viana é histórica realmente, assim como sua ligação com o ativista ambiental (assassinado) Chico Mendes, assim como com as Comunidades
Eclesiais de Base (CEBs), da Igreja Católica; Igreja, aliás, que Marina Silva deixou para migrar para uma igreja pentecostal.

Assim como os irmãos Viana, Chico Mendes, as CEBs, ambientalistas e militantes indigenistas, Marina Silva tem papel importante na luta pelos “Povos da Floresta”.

O que é uma virtude, e não um efeito.

Mas como vão entender isso a direita, parte da classe média e boa parte dos jornalistas (profissionais urbanos) que sequer conhecem a Amazônia, a não ser por fotos e outras imagens; se mal conseguem distinguir uma bromélia da Mata Atlântica de uma Vitória Régia da Amazônia?

Como saber que a luta pelos “Povos da Floresta” não é uma luta acreana ou dos amazônidas. Mas uma luta mais ampla, na qual estão contidos índios, caboclos, ribeirinhos, quilombolas, gentes das periferias da Amazônia e fora dela?

Pecado religioso

O neo-pecado de Marina Silva é ter migrado para uma religião pentecostal e ter se aliado aos “crentes”.

O que essa gente que critica Marina Silva está querendo dizer é que crente não vota, ou melhor, não poderia votar, pois seus dogmas não se coadunam com os primados da modernidade, do Iluminismo.

“Crente não é gente”, se poderia resumir.

Já tivemos problemas desse tipo por aqui. Até a Proclamação da República índios e negros (escravos) não podiam votar.

Até o início da década de 30 (1933), a mulher não podia votar.

Até o advento da Constituição de 1988, o analfabeto não podia votar.

Em muitas medidas, e aos seus tempos, índios, negros, mulheres e analfabetos foram não-cidadão, ou cidadãos de segunda classe.

Talvez os moderninhos queiram fazer, se não legalmente, mas pelo menos na prática, isso com os “crentes”: transformá-los em não-gente.

Mas é bom ficar atento à Democracia e estender esse “impedimento” a todos os crentes: aos pentecostais, aos neopentecostais, aos católicos, aos islamitas, aos judeus, aos budistas, às pessoas que frequentam o candomblé.

Afinal, assim como os crentes de Marina Silva, essa gentarada toda crê em alguma coisa.

A Rede

A única crítica relevante ao projeto da Rede Sustentabilidade é essa história das assinaturas.

Aparentemente, pelo menos, Marina Silva não conseguiu reunir o número de assinaturas exigido pela justiça eleitoral, até porque sobre boa parte delas pairam desconfianças de falsidade e repetição.

Marina Silva caiu em outra armadilha: acreditou (até com boa fé) que manifestações nas redes sociais automaticamente se transformariam em assinaturas válidas e em apoios objetivos ao seu projeto.

Equivocou-se!

As redes sociais, quando muito, e para uma imensa maioria de “curtidores”, é um mero passatempo, uma forma de preencher lacunas do dia e da existência.

Apoiar Marina Silva e a Rede Sustentabilidade nas redes sociais foi uma forma irresponsável de dizer que se está participando de alguma coisa e ajudando a mudar o País.

Nem uma coisa nem outra: não se participa de nada clicando no mouser, nem se ajuda a mudar o País com a bunda enfiada na cadeira.

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