terça-feira, 22 de outubro de 2013

Marina Silva e a morte do cachorro de quatro patas


Crédito da foto: www.jornalopcao.com.br 

Marina Silva, com o Roda Viva (TV Cultura) de ontem, deve ter conquistado mais alguns votinhos.

Não ganhou este aqui, e nem deve ganhar.

A política acreana é um Lula tão ou melhor articulada e mais culta, embora menos enfática.

Marina está mais para Gandhi do que para Lenin (como estaria Lula).

Fala doce e de maneira bastante concatenada.

Goste-se ou não dela, sua fala tem nexo.

O que lhe falta é programa de governo, que já não tinha quando se candidatou pelo PV, na eleição passada.

Diz ela que tem, mas não tem não. O que tem são apontamentos, diretrizes, generalidades.

Mas talvez isso baste num País em que a maioria dos eleitores se parece com aquelas birutas de aeroportos em dia de forte ventania.

Emparedando Marina

Os jornalistas que participaram da banca do Roda Viva de ontem começaram tentando emparedar a política acreana.

Queriam porque queriam que ela se dissesse frontalmente contra o governo petista, e até mesmo contra o tucanato.

Marina escapou com certo brilhantismo, ao dizer que está fazendo uma “política nova”, que recebe bem (e elogia) os acertos dos adversários, mas que critica com ênfase os seus erros.

É isso que o eleitorado-biruta está esperando ouvir?

Deve ser.

O emparedamento não é gratuito. Está-se tentando criar um rastro de incoerência na sua biografia. O que seria bom para Dilma, mas também para os tucanos.

No futuro poder-se-ia cobrar dela que um dia diz uma coisa, noutro, outra.

Ela não caiu na armadilha.

Jornalismo não é uma coisa neutra, muito menos inocente.

O que viram os coleguinhas?

O sítio UOL correu para dizer que Marina não se põe como candidata à Presidência.

Ela diz isso, mas sem querer dizer. É estratégico. É assuntação. É prospecção. É negociação.

Um blogueiro de esquerda levantou, hoje cedo, a bola do criacionismo (que foi introduzido na entrevista em seu final, ontem).

Marina também escapou com certo brilho de mais esta armadilha.

Deus teria criado Darwin. No mínimo original, mais coerente com as suas crenças.

Jornalismo não é uma coisa neutra, muito menos inocente.

Três patas

Não entender Marina como candidata à presidência, do alto dos seus 22% de intenção de votos, contra a merrequinha de menos de 10% do Eduardo Campos, é acreditar que um sujeito que tenha dois cães, e vá participar de uma corrida canina, opte pelo seu cachorro de 3 patas e não pelo de quatro.

O que petistas e vários jornalistas têm em comum é a vontade de matar o cachorro de quatro patas do PSB.

Nenhum comentário:

Postar um comentário