sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Jornalismo naufraga. Culpa do jornalismo




Crédito da foto: www.dinosoria.com 

“Deixando a profundidade de lado e o querer ficar do lado...” pode-se dizer que existe três maneiras de fazer jornalismo:

- o jornalismo tradicional, aquele que dá informação ao público em geral;
- a assessoria de imprensa, que faz às vezes dos relações públicas e bajula quem paga;
- o jornalismo especializado, feito por segmentos específicos, mas  dirigido ao público em geral.

Pode-se também dizer que a assessoria de imprensa vai bem obrigado. Até jogador de time de segunda divisão e cantores que se apresentam apenas em bares e em circos têm assessores de imprensa.

O mesmo não se pode dizer do jornalismo tradicional e do jornalismo especializado.

Eles naufragam por um erro de estratégia comum aos dois, e que nada tem a ver com as novas mídias, como muita gente gosta de dizer.

Optaram pela infantilização do consumidor de informação, tratando-o como uma criança idiota, como se toda criança fosse idiota, e como se a idiotia fosse intrínseca apenas à infância e à juventude.

Placar, um ótimo exemplo

A revista Placar, da editora Abril, é provavelmente a melhor publicação esportiva da história do jornalismo brasileiro.

Há coisa de duas décadas ou um pouco mais, os responsáveis pela publicação resolveram dar uma guinada na revista.

Mudaram o seu formato, aumentaram o número de fotos, exageraram nas cores; e a revista passou a cuidar da vida sexual, religiosa, familiar dos atletas.

Coincidência ou não, a vendagem da Placar despencou.

Ao invés de investir na qualificação de seus profissionais, de aprofundar as matérias, de vasculhar as razões do por que o esporte é assim ou assado, do por que certos atletas “promissores” se transformaram em fracassos espetaculares; quais as ligações do esporte com as máfias, com a lavagem de dinheiro, com a comercialização irregular de espetáculos e atletas, não!

A revista passou a cuidar de amenidades que não interessam à maioria das pessoas, a não ser a meia dúzia de tarados e desocupados.

Especializados seguem a trilha

Quem também segue a trilha da idiotização do leitor é a imprensa especializada. É muito preocupante o atual estágio das publicações das áreas de ciência, tecnologia, inovação, educação, psicologia etc. e tal.

A quem interessa saber quantos orgasmos tem um marsupial; ou que um inventor do interior de São Paulo criou um pente colorido com restos de garrafas pet; ou que uma mãe-pesquisadora conseguiu superar a esquizofrenia do seu filhinho ministrando-lhe doses diárias de óleo de rícino?

Está-se perdendo uma grande oportunidade de levar o conhecimento científico – ao qual a maioria de nós não tem acesso – à população em geral, e com isso ajudar a combater crenças arraigadas, preconceitos e o tão famigerado senso comum.

Naufrágio a vista! Depois não se diga que ninguém foi avisado.

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