segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Índios deveriam ter implodido o Monumento às Bandeiras em SP


Crédito da foto: jornal O Estado de São Paulo

A tomada do Monumento às Bandeiras, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, semana passada, foi um ato carregado de simbolismo.

A obra, que também foi pichada pelos manifestantes (a maioria indígenas), é do escultor Victor Brecheret, e homenageia os bandeirantes.

O artista não fez uma obra neutra, muito pelo contrário.

Nela estão presentes várias etnias (sic) - portugueses, negros, mamelucos e índios-, num esforço quase sobre humano para mostrar o lado bom do desbravamento e da pilhagem da Nação.

Não por acaso, também na obra, os índios aparecem com cruzes penduradas no pescoço.

Bandeirantismo

Num texto o ligeiro, o sítio Brasil Escola define o que vieram a ser as bandeiras, os bandeirantes e o bandeirantismo:

[Após viver um período de relativa prosperidade, a capitania de São Vicente passou a enfrentar algumas dificuldades para empreender o desenvolvimento econômico da região. Primeiramente, a atenção dada à economia açucareira na região nordeste promoveu uma grave diferença de desenvolvimento entre as regiões. Logo em seguida, o próprio declínio do açúcar no mercado europeu contribuiu para o agravamento dos problemas naquela localidade.

Durante a União Ibérica (1580-1640) essas dificuldades se acentuaram com a expressiva diminuição de escravos africanos que pudessem empreender a execução das pesadas atividades a serem cumpridas. Foi nesse momento que várias expedições partiram da região de São Paulo com o objetivo de se embrenhar pelas matas à procura de índios que pudessem suprir a visível carência de mão de obra. Dava-se início ao desenvolvimento do bandeirantismo no Brasil colonial.


“Bandeira” era o nome dado a essas expedições compostas por centenas de pessoas, das mais variadas classes sociais, que passavam longos períodos enfurnados pela mata. Cada um de seus integrantes, conhecidos como bandeirantes, participavam dessa ação que com o passar do tempo se consolidou como uma rentável atividade econômica. Além de gerar lucros, o bandeirantismo se desdobrou em outras modalidades que atenderiam a diferentes propósitos.


O primeiro e mais conhecido tipo de bandeirantismo era conhecido como “bandeira de apresamento”. Nesse tipo de expedição, a busca por índios tinha como objetivo estabelecer comércio com os proprietários de terra interessados em explorar a força de trabalho deste tipo de “peça” que, em geral, custava vinte por cento do valor pago por um escravo proveniente da África. Os índios capturados das missões jesuíticas eram mais caros por estarem acostumados a uma rotina diária de serviço.

Não sendo organizada em separado, mas também fundando uma outra modalidade de atividade bandeirante, a “bandeira prospectora” saía em busca de produtos naturais comercializáveis (drogas do sertão) e de possíveis regiões onde poderiam ser encontrados metais e pedras preciosas. No fim do século XVII, esse tipo de expedição descobriu as primeiras regiões ricas em minério em Minas Gerais, Mato Grosso e, posteriormente, em Goiás.

Uma última e importante modalidade de bandeirantismo ocorreu graças à demanda dos grandes proprietários de terra e da própria Coroa Portuguesa. O chamado “sertanismo de contrato” era feito com o objetivo de combater populações indígenas que atacavam os centros coloniais e destruíam as comunidades quilombolas organizadas pelos escravos que escapavam das fazendas. Dessa forma, alguns bandeirantes eram utilizados como força de repressão contra aqueles que se opunham aos moldes da colonização.]

"Bandeirantes assassinos"

Há que se entender o que querem dizer os índios com a palavra de ordem “bandeirantes assassinos”.  

No ligeiro texto acima os índios aparecem como vítimas, assassinados, aprisionados, escravizados, e, muito eventualmente, como “parceiros” dos bandeirantes, sabe-se lá a que custo.

Há uma longa, e provavelmente infinita, discussão a respeito de quantos indivíduos índios existiam em 1500, quando por aqui aportaram os portugueses, no que hoje se reconhece como território brasileiro.

Dois milhões? Cinco milhões? Sete milhões? Dez milhões? Treze milhões? Dezessete milhões?

Seja o que for, índios e seus descendentes hoje mal passam de 800 mil.

São números assombrosos.

Negros africanos que foram trazidos para cá a ferro e a fogo somaram seis milhões. Hoje, os afrodescendentes brasileiros representam quase metade dos nacionais.

De 1500 até os dias de hoje, também seis milhões de brancos por aqui chegaram, e hoje ocupam a outra metade da população nacional.

Um massacre. Um genocídio.

Orgulho paulista

Nada disso, nem a história, nem as mortes, nem os estupros, nem as correrias, nem as tocaias nos tiram, a nós paulistas, o orgulho de sermos bandeirantes.

Em São Paulo há rádio bandeirantes, há tevê bandeirantes, há duas rodovias bandeirante e uma enorme estátua de Borba Gato, numa das mais movimentadas avenidas paulistana, a Santo Amaro, obra do escultor e pintor Júlio Guerra.

Vá tentar – como muita gente já tentou - tirar a estátua de lá para ver o que lhe acontece.

“É paulista”

Não sem razão, qualquer brasileiro que chegue para ficar nos ou passar pelos largos sertões do Centro-Oeste, do Nordeste e da Amazônia é logo identificado como “paulista”.

Mesmo que tenha nascido nas Minas Gerais, ou no Paraná, ou no Rio Grande do Sul; mesmo que seja capixaba, baiano ou catarinense.

Todo “invasor”, involuntário ou de caso pensado, é “paulista”.

Para o bem e para o mal. Mais para o mal.

Por tudo isso...

... os índios fizeram bem em tomar e pichar o Monumento às Bandeiras de Brecheret na semana passada.

Mas fizeram pouco. Deveriam ter feito melhor: tê-lo implodido.

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