terça-feira, 15 de outubro de 2013

Hoje é Dia do Professor? E a educação, como vai?



Sou uma raridade entre os de minha geração. Ao contrário de todos que conheço, acho que a educação “daquele tempo” era ruim.

Vá lá que tinha um ou outro professor mais ou menos interessante (já disse isso por aqui outras vezes), mas a maioria era sofrível: conservadores, mal formados, mal humorados; gente de poucas luzes e até um pouco reacionária.

Não é por acaso que pesquisa realizada pelo instituto DataFolha, semana passada, indica que 49% dos brasileiros se declaram conservadores; 30% de esquerda.

E o restante (21%)? Não sabe muito bem o que está fazendo por aqui na Terra.

Também não concordo em parte com o senso comum indicando que o Brasil investe pouco em Educação.

Investe, investe bem, mas não investe o suficiente para sanar problemas históricos.

Um deles é que faltam escolas e gente capacitada em boa parte do território nacional.

O outro é que apesar dos esforços até agora, ainda não se conseguiu colocar descendentes de índios e de negros africanos em pé de igualdade com os brancos.

Algumas pistas

Boa parte dos festejadores do dia de hoje nem sequer sabe por que 15 de outubro é o Dia do Professor.

Em 1827, o imperador Dom Pedro 1º baixou um Decreto Imperial criando o Ensino Elementar no Brasil.

E baixou nesse dia 15 de outubro para homenagear a educadora Santa Teresa de Ávila, uma carmelita espanhola que além de religiosa foi escritora de “obras místicas”.

Começamos mal, pelo jeito.

Mais grave, porém, é que apenas na metade da metade do século 19 alguém resolveu abrir escolas para ensinar os índios, os pretos e os brancos pobres a ler e a escrever.

Dá um pouco para entender porque estamos um bocado para trás, se nos compararmos, por exemplo, à Argentina aqui do lado.

Ditadura e desenvolvimento

Tocávamos nossa vidinha no lombo de mulas e burros, plantando mandioca e um pouco de feijão, caçando e pescando para sobreviver, até que Getúlio Vargas (o “pai dos pobres”) viu por bem nos tirar da barbárie agropastoril, e nos jogar na modernidade.

Antes de se submeter às chantagens dos Estados Unidos (durante o Estado Novo – 1930 a 1945), GV flertou com o nazismo e até mandou alguns generais para estágio na Gestapo.

Em troca por mudar de lado, Getúlio Vargas enviou os “pracinhas” para a guerra, e recebeu grana internacional suficiente para montar a Fábrica Nacional de Motores (Fenemê), a Siderúrgica de Volta Redonda e deu o primeiro impulso na industrialização de São Paulo, que já tinha uma população mais ou menos letrada, graças a italianos e japoneses.

Fim da educação pedrista

Norte-americano não dá ponto sem nó. Mandar pracinhas para a Itália e franquear a cidade de Natal para a aviação aliada era pouco.

Os EUA mandaram educadores para treinar nossos bravos professores.

A missão? Preparar mão de obra barata para os “novos tempos”.

Eis que o Brasil entra na modernidade ancorado pelo “precariado” – que é como a sociologia política chama essa mão de obra palidamente letrada, mal formada e sem senso crítico.

O sonho de Dom Pedro 1º - que subsistiu durante o segundo reinado (D. Pedro 2º) –, de uma educação humanista, sucumbiu, com Getúlio, à lógica do mercado.

Tiro de misericórdia

Se a educação brasileira – educação tem por missão formar cidadãos e não mão-de-obra – ia de mal a pior, foram os militares do golpe de 64 quem lhe deram o tiro final, ao retirar do currículo escolar o pouco que ainda havia de “humanidades”.

Nem um professor-doutor (Fernando Henrique Cardoso) alterou o andar da carruagem.

Se hoje não nos transportamos mais em lombos de mulas e de burros, continuamos toscos como os homens e as mulheres que por aqui viviam até a década de 20 do século 19.

Mas temos uma vantagem sobre eles: o carnaval, a Rede Globo e a Seleção que, ano que vem, pode ser hexa campeã mundial de futebol.

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