quarta-feira, 23 de outubro de 2013

GUERRA DOS SEXOS: Fernando, jornalista, não ouve Mariana, economista


Crédito da foto: BBC/ www.digplanet.com

O jornalista Fernando Rodrigues (Folha de São Paulo) não apenas não ouve a economista ítalo-britânica Mariana Mazzucato, como não a lê e não a assiste.

E material disponível é que não falta.

Mazzucato é autora do livro Entrepreneurial State (Estado empreendedor), tem um sítio na internet (www.marianamazzucato.com), concedeu uma entrevista à revista IstoÉ (“Mariana Mazzucato: A economia sofre com empresas parasitas" - http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2013/09/bmariana-mazzucatob-economia-sofre-com-empresas-parasitas.html) e foi ouvida pela Globo News – tanto no programa Ciência e Tecnologia, quanto no Milênio.

Parece que Rodrigues não viu nada disso.

O que diz Fernando

Talvez tenha lido, ouvido e visto sim, mas Mariana Mazzucato diz coisas as quais gente como Fernando Rodrigues não gosta de ouvir.

Diz Fernando Rodrigues na sua coluna de hoje na FSP (“Privatofobia” - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/135197-privatofobia.shtml):

[Dilma Rousseff colaborou anteontem à noite para eternizar o debate reducionista que opõe a iniciativa privada ao Estado. Em novilíngua orwelliana, a petista foi à TV afirmar que o leilão da concessão para explorar parte do petróleo da camada do pré-sal "é bem diferente de privatização".

Essa privatofobia já rendeu efeitos eleitorais positivos ao PT em 2006 e 2010. A dose deve ser repetida em 2014: "O PT defende o Estado. A oposição quer vender o país para os porcos capitalistas estrangeiros".

O debate é medíocre em si. Mas há um substrato ainda pior. Ao estimular a aversão pelo que é privado, o governo ajuda a perenizar um traço anômalo e atávico da nação brasileira. Desde a chegada de d. João 6º, com suas caravelas e dinheiro estatal de sobra, uma parcela significativa dos cidadãos por aqui sonha em se encostar no Estado-nhonhô.]

Gostei do Estado-nhonhô. Essa é novidade.

Mas vamos, então, ao que diz Mariana Mazzucato.

O que diz Mariana

- Que o Estado, em todo mundo, é o responsável por desenvolver pesquisas e financiar empresas privadas de pesquisa. Exemplos: indústria bélica, indústria farmacêutica, empresas de TI etc.

- Criadas as condições ideais para o desenvolvimento da tecnologia, o Estado a repassa para a iniciativa privada explorar. Exemplos: Google, Apple, Ford etc. e tal.

- As empresas não reinvestem (não retornam) o dinheiro no Estado. Pelo contrário: pedem novos recursos ao Estado para continuar suas pesquisas.

- As empresas pagam pouco juro da dívida (dos empréstimos).

(onde é mesmo que tem dinheiro baratinho assim que eu também quero?)

O que propõe Mariana?

Que o Estado perca a timidez e passe ele, também, a desenvolver e a comercializar tecnologia, e que o “lucro” seja reinvestido em novas pesquisas e/ou em programas sociais.

Que o Estado passe a cobrar das empresas privadas todo o seu investimento em Ciência e Tecnologia.

Que o Estado aumente a carga tributárias das empresas de base tecnológica.

As empresas vão quebrar, pergunto eu? Pois que quebrem!

Não é essa a lógica do Capitalismo: quem não tem competência que não se estabeleça?

Entendendo Fernando

Mas é preciso entender Fernando Rodrigues.

O jornalista é um dos arautos do neoliberalismo, assim como é, por exemplo, Reinaldo Azevedo, da Veja.

A diferença é que Rodrigues escreve para uma massa (média) mais sofisticada, que até lê alguns livros (muitos deles bons) e já foi passear em Paris.

Azevedo tem outro público: pequenos comerciantes, vendedores de imóveis, frequentadores de academia de ginástica; gente que gosta de filmes de aventura e de comédia.

Mas ambos, como tantos outros, pregam a “diminuição do Estado”; pregam que a vida tem de ser regrada pela “lei de mercado”, e quem, melhor que as empresas para fazer essa condução do gado?

Talvez esteja na hora de a gente voltar a assistir bons “filmes de aventura” como Robocp (dois) e Mad Max (três).

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