domingo, 20 de outubro de 2013

Elementar: Malala virou pop star





Até rimou.

A vida da jovem paquistanesa Malala Yousafzai virou de cabeça para baixo (supostamente para melhor) e já é um clássico da exploração da imagem feminina.

No futuro, quem sabe?, algum estudioso mais atento, e menos comprometido, venha a demonstrar o que há de trágico em toda essa história midiática que envolve a sua figura.

Mas já dá para adiantar que cerca a heroína a exploração da mulher e da criança.

Recordando

No dia 9 de outubro de 2012, Malala Yousafzai foi atacada, em Mingora, por um membro do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP) e baleada na cabeça por seu ativismo pela educação de crianças, o que, supostamente, desagradava ao Talibã.

Levada à Grã-Bretanha, para o hospital Queen Elizabeth, em Birmingham, Malala foi operada e agora, recuperada, é uma espécie de embaixadora das boas causas no mundo, especialmente na Europa.

Tenho por hábito desconfiar de todas as histórias muito bem contatas, com nexos, com começo, meio e fim.

E essa é uma delas.

Diria eu que o tiro não existiu e que tudo não passa de uma grande encenação?

NÃO!

Digo eu que o tiro, tenha partido de onde partiu, empurra a garota para o epicentro de uma exploração extraordinária da sua imagem, exploração esta que compõem o atual quadro de conflitos entre o Ocidente e o Oriente, usando-se, uma vez mais, uma mulher (criança) num jogo que interesses que nada têm a ver com os seus.

Pode-se dizer que Malala é uma Yoani Sánchez com mais fama e apoio.

Exploração da mulher

Na contramão do discurso marxista pela igualdade de gênero, o que também aparece na Constituição dos EUA e nos preceitos da Revolução Francesa, o mundo contemporâneo tem, na (exploração da) mulher, a “pedra de toque” da sua práxis dominadora.

Se não vejamos.

A Princesa Day (a britânica Diana Frances Spencer), ativista importante a favor dos mutilados de guerra, foi explorada (e é mais lembrada) pelo glamour que a cercava, pelas suas escapadelas românticas, pelos seus affaires, pela sua vida, vestidos e joias suntuosos.

Mas que não se deixe os “comunistas” de fora, e se lembre da vietnamita Kim Phuc, que aparece numa famosa foto correndo nua após um ataque de napalm das tropas norte-americanas.

Kim Phuc teve sua imagem explorada pelo regime vietnamita como um “símbolo” da agressão norte-americana.

Já em Cuba, para onde foi estudar medicina, Kim Phuc sofreu o mesmo tipo de exploração, até que fugiu da Ilha para o Canadá, onde fundou uma organização de assistência médica e psicológica a crianças que são vítimas da guerra.

Pop star

O repórter Leandro Colon (Folha de São Paulo – “Malala conta com estrutura cinco estrelas de assessores e consultores” - http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/10/1359426-jovem-paquistanesa-baleada-pelo-taleban-conta-com-estrutura-cinco-estrelas-de-assessores-e-consultores.shtml) foi a Birmingham ver como anda a vida da jovem paquistanesa.

Vejamos com ele:

“Não há amadores por trás dos movimentos da jovem paquistanesa Malala Yousafzai...”

“...a garota ...virou uma marca forte e o centro de uma teia de assessores, consultores e organizações.”

“A Edelman, maior empresa de relações públicas do mundo, é quem cuida da agenda e das entrevistas dela, com uma equipe dirigida por cinco pessoas.”

“Outros clientes da empresa são, por exemplo, os gigantes Adidas, Microsoft, Samsung e Starbucks.”

“À disposição de Malala está um dos diretores mais importantes da Edelman, Jamie Lumie, hábil especialista em discursos políticos.”

“A tarefa de dirigir o ‘Malala Fund’, criado para arrecadar recursos para a educação de garotas, caiu nas mãos da reputada consultoria McKinsey & Company, que cedeu uma funcionária, Shiza Shahid, para presidi-lo. O fundo foi montado com apoio da Vital Voices, entidade criada por Hillary Clinton.”

“Malala já topou virar um documentário dirigido por Davis Guggenheim, vencedor do Oscar em 2006 com o trabalho ‘Uma Verdade Inconveniente’. O objetivo é lançá-lo em 2014...”

Justificativas

Pelo que se vê, vale a velha lógica dos fins que justificam os meios.

O que não ameniza ou diminui em nada o oportunismo financeiro e/ou ideológico que envolve uma criança, que, antes de tudo, é uma mulher.

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