quinta-feira, 17 de outubro de 2013

DROGAS: quando a esquerda é reacionária


Crédito da foto: hypescience.com

Ser de esquerda não livra ninguém de também ser conservador e/ou reacionário.

Conservadorismo indica que “o indivíduo só existe plenamente integrado numa sociedade e numa tradição” (vide dicionários).

Ou seja, reacionário é aquele que defende posições sociais sólidas e imutáveis, com base em conceitos pré-estabelecidos.

Reacionarismo diz respeito à ação e à atitude de reação sistemática, contrária ao espírito liberal (no viés social, e não econômico).

Ou seja, é reacionário um sujeito que se apõe sistematicamente a qualquer avanço social, venha ele de onde vier.

Reacionário e reativo são a mesma coisa?

Um reacionário é um ser reativo? Depende do que se está falando.

O Dicionário Informal da Língua Portuguesa (Portugal) define como reativo todo aquele que reage.

Sigmund Freud expande a definição e fala em Formação Reativa - "mecanismo de defesa ... típico do subconsciente natural... usado por indivíduos que querem camuflar e proteger seus desejos ou sensibilidade”.

Freud explica o pavor das esquerdas quando o assunto é droga.

Matando o morto

Antes mesmo de assumir a Presidência da República, Dilma Rousseff rifou o nome de um especialista na área, que iria ocupar a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.

Tudo porque a gajo se apressou e defendeu, em entrevista, que pequenos traficantes (principalmente os menores de idade) não deveriam ser presos, mas encaminhados a programas socioeducativos.

Dilma não gosta muito dessas pressas. Outros caíram antes da posse por falar de mais.

Mas não é só isso que está por detrás da atitude dilmista.

Medo e moralismo

Pesquisa realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP (ver mais em “Esquerdas adotaram postura conservadora quanto às drogas” - http://www.usp.br/agen/?p=156803) mostra que “organizações de esquerda não contemplaram política de descriminalização das drogas de maneira efetiva entre 1960 e 2000” ... “por razões que vão do moralismo ao medo do desgaste político causado por assuntos polêmicos, o debate sobre drogas ficou defasado”.

Voltando um pouco a Dilma Rousseff isso quer dizer que ela temeu um desgaste de seu governo junto à opinião pública (embora não se possa descartar o viés moralista de sua atitude).

Para o estudo, esse “conservadorismo esquerdista” (dentro ou fora dos governos) “implicou em problemas como corrupção, ação violenta do mercado ilegal, criminalização e encarceramento em massa da população vulnerável economicamente”.

Culpa de quem?

A culpa é só dos esquerdistas? Obvio que não.

O mundo das drogas é um universo infindável, que contempla desde papais e mamães, até especialistas em alguma coisa e libertários em geral; isso para não falar da polícia e da Justiça.

À direita também se vê muita intolerância quando o assunto é drogas, tráfico e consumo.

Mas é preocupante que grupos ideológicos que se auto-definem como “progressistas” (os esquerdistas) tenham visões tão tacanhas quando o assunto é droga.

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