sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dizer bobagens é direito sagrado no Brasil



Vai se tratar por aqui do assunto do momento do País: a ida de Marina Silva ao PSB, e as pesquisas que virão por aí nos próximos dias.

Mas, antes, três assuntinhos que tomam as mídias neste momento:

- a psicóloga que culpou o PT por um problema no México;
- o lero-lero sobre as biografias;
- o rame-rame envolvendo escritores na Feira de Frankfurt.

Depois voltaremos à Marina e à “pesquisite”.

PT e a burrice cavalar

A história é corriqueira, mas exemplar: uma jovem, grávida, não conseguiu ser atendida no hospital que procurou e acabou por dar à luz no gramado do nosocômio.

Rápida na sua fúria, a psicóloga paulista, que mora em Curitiba, Marisa Lobo, culpou o governo da Dilma Rousseff pelo descanso com o setor de saúde e pelo infortúnio da jovem mãe.

Detalhe: o caso ocorreu na cidade do México.

Alertada e ironizada por uma blogueira de esquerda, a psicóloga Lobo mudou a história, e passou a relatar uma segunda, essa sim num hospital brasileiro.

Detalhes:

- a segunda história se passa num hospital em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, Estado nas mãos do PSBD;
- o hospital é privado, e não público.

Como uma história puxa a outra, é bom saber que a psicóloga Lobo é assídua frequentadora de programas de TV no Paraná e postadora ávida do Facebook, locais em que, com veemência, defende a “cura gay”.

E como todos sabem, existem “tantos gays no Brasil” por culpa do PT e de seus amiguinhos comunistas.

Biografias da discórdia

Esse papo de autorizar ou não as biografias “está pra lá de Teerã”. Mas ainda rende alguma coisinha, apesar das insanidades do que se diz de um lado e de outro.

No Estadão de hoje, Paula Lavigne, coordenadora do Procure Saber, empresária e ex-mulher de Caetano Veloso, atira (nos críticos e acusadores) para se defender e defender os seus.

Sinceramente, esse é o tipo de assunto que não tem qualquer relevância, mas que no Brasil sempre ganha relevo em meio àquilo que nos anos 60 do século passado nós apelidávamos de “masturbação mental”.

Num País onde a fome espreita boa parte de população, onde mais da metade dos aqui viventes não tem trabalho e o futuro da maioria é apenas um espectro nebuloso, discutir o direito de meia dúzia à sua privacidade e discutir o direito de outra meia dúzia de bisbilhotar a vida alheia é de uma canalhice atroz.

Mas a pérola da entrevista do Estadão com Lavigne veio – como não poderia deixar de ser - da jornalista que a entrevistou, Roberta Pennafort:

“Não seria o caso de depois processar caso saia algo que ofenda o biografado?”

 Ui!!!!

Preconceito em Frankfurt

Parte dos escritores que foram à Alemanha resolveu falar a respeito de uma coisa sobre a qual ninguém sabia antes: que no Brasil grassa solto o racismo.

Oportuno?

Huuuum!

O mote da revelação é que da lista dos 20 escolhidos para ir à Frankfurt, apenas um é negro e outro é indígena.

O que é que esses caras estão querendo dizer com isso?

Que seis escritores deveriam ser brancos, outros seis, negros, outros seis, índios... e os outros dois?

Noves fora a estupidez da bandeira protestatória, a desproporção (escritores brancos escritores não-brancos) deveria ser o mote para se mostrar o quanto o Brasil é um País injusto, desigual, onde a índios e a negros ainda é vedado o acesso à educação, à leitura e à escrita.

Enfim, à ascensão social.

Bem, mas estamos no Brasil, onde todos nós temos uma bandeirinha a desfraldar, mesmo que ela esteja meio puída.

Voltemos ao que interessa

Em seu artigo desta semana no Observatório da Imprensa (“Vem aí novo surto de ‘pesquisite’”) – veja link acima -, Alberto Dines fala que:

‘... teremos na imprensa uma enxurrada de confrontos numerológicos, exercícios estatísticos e elucubrações adivinhatórias. Como o custo desse tipo de exercício especulativo é relativamente baixo, devemos contar com a proliferação do tal “jornalismo de precisão”. ’

Pois sim, estamos todos esperando pela “enxurrada” de pesquisas, o que deve começar a ocorrer da noite desta sexta-feira para domingo, lá pela hora do Fantástico, da Globo.

São esses os momentos em que o brasileiro está praticando os seus dois esportes preferidos: assistir TV e tomar uma cervejinha.

Pavão misterioso

A questão é saber como os institutos de pesquisa vão alinhar os nomes à corrida presidencial.

- Dilma, Aécio, Eduardo Campos e demais?
- Dilma, Aécio, Serra, Eduardo Campos, Marina Silva e demais?
- Dilma, Lula, Aécio, Serra, Eduardo Campos, Marina Silva e demais?

“Tudo é mistério / Nesse teu voar ... Não temas minha donzela / Nossa sorte nessa guerra”, cantou o menestrel da Praia do Futuro.

E é exatamente aí que está a questão: que arranjo os institutos de pesquisa vão dar aos nomes presidenciáveis?

Mistério do pavão

Como será tratada a duplinha Campos-Marina?

- Vai Marina sem Campos?
- Vai Campos sem Marina?
- Vão os dois já como chapa?
- Quem encabeça? Campos? Marina?
- E os outros candidatos? Vão em voo solo mesmo? Sem vice?

Ato falho petista

Há um artigo interessante do linguista Sírio Possenti, no Terra Magazine, esta semana, oportunidade em que aborda a fala de Marina Silva, o “ato falho” e as teorias de Freud e Carlo Ginsburg.

“Na teoria de Freud, diz Possenti, os atos falhos têm um interessante destaque. São falas (palavras, eventualmente) que saem da boca do falante sem que ele queira.”

Pois aplique-se a teoria freudiana do ato falho aos petistas, especialmente após a adesão de Marina Silva aos socialistas. 

Aquela moçada que defende, encarniçadamente, o PT nas novas mídias pode ser, pelo menos neste momento, dividida em três grupos.

- primeiro grupo: aqueles que atacam ruidosamente Marina e Campos com acusações não-comprovadas, achincalhes de toda ordem, ironias e etc.;
- segundo grupo: aqueles que tentam ver, na adesão de Marina aos socialistas, o início de trilha pavimentada que levará Dilma à vitória no primeiro turno, ano que vem. Mas, sofisticados, eles aposentam as agressões e se fiam numa futurologia numérica;
- terceiro grupo: aqueles (mais sofisticados ainda) que veem incongruência na junção do ambientalismo marinista e com socialismo caboclo de Campos. A partir disso, concluem que a eleição até pode ir para o segundo turno, ano que vem, mas o peixe marinista-campista não será do agrado do paladar brasileiro. Daí que Dilma vence.

Acusando o golpe

São sintomas claros de que o PT acusou o golpe da adesão de Marina ao PSB.

De que o PT teme, de verdade, que Marina + Campos possam, sim, tirar os petistas do Palácio do Planalto.

Não fosse tudo isso, por que tantas laudas e tantos baites? Por que tantas falas e tantas imagens?  Por que tantas análises e tantas agressões?

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