sexta-feira, 4 de outubro de 2013

BRASIL: a farsa do imposto mais “alto” do mundo




Crédito da foto: Dona Milu, à esquerda, em reprodução do sítio www.folhape.com.br 

O Brasil é o país que mais cobra impostos no mundo, certo?

ERRADO!

O País é do 14º do ranking, atrás de países como Dinamarca, Suécia, Itália e Bélgica, por exemplo.

É correto dizer que o Brasil ainda aplica mal o que arrecada, mas a campanha de setores conservadores visando à diminuição da carga tributária é similar à idéia de se jogar a água fria da banheira com o bebê dentro.

Mistééério

Dona Milu, personagem secundária do romance Tieta do Agreste, de Jorge Amado, repete sempre um bordão toda vez que se depara com uma situação insólita, inexplicável e pouco clara: “mistééério”.

A caracterização da palavra mistério com o é alongado ficou melhor nas duas versões para a TV.

Se este ano a arrecadação tributária brasileira já passou de um bilhão (ano passado também), a sonegação fiscal, neste mesmo período, já atingiu R$ 415 bilhões – praticamente um terço.

Impostos são facilmente verificáveis. O rombo da sonegação não.

Será preciso esperar o fechamento do exercício fiscal, fazer contas e aí sim se saber quanto o brasileiro (especialmente o empresário) sonegou ao fisco.

O rombo deve crescer um bocado, e, por que não, chegar à metade do arrecadado.

Rombo & rombo

Não é muito misterioso, portanto não é um nenhum mistééério”, descobrir quem está por trás dessa campanha anti-impostos no Brasil.

Basta ir ao sítio do Impostômetro para se encontrar nomes como o de Guilherme Affif Domingues e da Associação Comercial de São Paulo.

É gente que vem a ser ligada ao deputado federal Paulo Salim Maluf, que está na lista de procurados da Interpol por crime de lavagem e desvio de dinheiro.

Talvez o mistééério” aqui seja descobrir o que leva essa gente de São Paulo a dar, eleição após eleição, cargos a Maluf.

Mas também talvez não seja tão difícil assim desvendar o mistééério” malufiano.

Basta lembrar que durante as manifestações de junho centenas de jovens ajoelharam-se em frente ao prédio da mais poderosa das organizações empresariais do Brasil, a Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, para entoar “com muito orgulho, com muito amor” o hino nacional brasileiro.

Um ato ao mesmo tempo de contrição e de amor à pátria. E uma homenagem carregada de simbolismo ao que fazem às claras e às escondidas os empresários brasileiros.

Quem quiser um bom texto sobre essa dicotomia brasileira – impostos X sonegação – deveria ler Paulo Kliass, no sítio Carta Maior: “Impostômetro e sonegômetro” - http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=6305.

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